Em Casa… A Arte de Saborear a Vida!

Na língua inglesa, a palavra “Savoring” está originalmente destinada às experiências associadas ao paladar, como comer e beber. Talvez sua melhor tradução para o português seja saborear. Os estudos de psicologia sobre a felicidade, contudo, expandiram a função do termo savoring, criando um conceito que vai muito além dos sabores. Na perspectiva do bem-estar psicológico, o savoring seria a capacidade das pessoas de reconhecer e apreciar experiências de vida agradáveis. Melhor dizendo, savoring seria a habilidade de viver plenamente as emoções positivas associadas a um momento.

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O savoring acontece quando, conscientemente, estabelecemos uma conexão entre o que estamos fazendo e o que estamos sentindo durante um momento prazeroso. Não é apenas se sentir bem, mas é tentar prolongar a sensação agradável porque se tem a consciência de que ela nos faz bem. Na perspectiva psicológica, podemos vivenciar o savoring em situações tão diversas quanto diante da visão hipnótica de um céu estrelado, em uma conversa estimulante, lendo, ouvindo música, revendo antigas fotos, caminhando em meio à natureza ou relaxando no sofá em uma tarde preguiçosa.

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Por um lado, é muito comum que associemos prazer e bem-estar unicamente com passeios e experiências que nos levem para longe da rotina diária. Por outro, a maior parte da vida que vivemos acontece no ritmo compassado do tempo cotidiano, e a casa que habitamos é o cenário de parte considerável dessa vida. Se esperamos apenas os escapes de fim de semana, ou das férias, para obter prazer, saborearemos muito pouco de nossas vidas. De muitas maneiras, nossa casa pode ser uma fonte segura para o savoring no dia a dia, mas para isso precisamos aguçar nossos sentidos e, com a consciência alerta, aprender a ver beleza e contentamento onde costumamos a viver automaticamente.

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Prestar atenção aos sentidos é parte essencial do savoring. Para saborear as alegrias da vida, é necessário apreciar, melhorar e prolongar ativamente as experiências que possam gerar emoções positivas, sem culpa! Por exemplo: investir em coisas que proporcionam prazer estético, que ajudam a tornar o ambiente doméstico mais bonito, é uma maneira de praticar savoring. Mas não basta sair comprando coisas bonitas e entulhar a casa. Para que a beleza se converta em uma experiência de savoring, há que haver uma conexão entre o gosto estético dos moradores e os elementos decorativos escolhidos. Isso, porque o savoring dependerá do prazer que a apreciação do objeto provoca no observador.

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Uma das lições do savoring é que ele depende de um envolvimento consciente da pessoa, mas isso não quer dizer que se deva racionalizar a experiência. Dito de outra forma, evite analisar a experiência, pois isso diminuirá o prazer. Ouvir música em casa é uma boa maneira de se praticar savoring, mas para isso é necessário concentrar-se na música, deixar-se envolver pelo ritmo, guiar-se pela melodia… Cantar e dançar como se ninguém estivesse olhando pode aumentar o mergulho sensorial na experiência.

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Praticar o savoring é um processo que aumenta o prazer que sentimos no momento presente, mas podemos saborear igualmente situações vividas no passado ou que ainda viveremos futuramente. Podemos saborear a memória de um passado positivo, dando destaque na decoração para fotos ou objetos que remetem a momentos felizes, por exemplo. Cultivar plantas, planejando o desenvolvimento delas e visualizando todo o potencial de crescimento que têm, cria condições para vivenciar o prazer associado não apenas ao processo do cultivo em si, mas também aos benefícios que elas trarão, como embelezamento da casa, maior frescor no verão, ou ingredientes frescos para a culinária no caso de ervas e temperos.

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A celebração de conquistas, realizações e datas comemorativas, é uma boa maneira de nutrir o espaço doméstico com experiências favoráveis ao savoring. Dispense o bar, o restaurante e similares, receber em casa pessoas que nos fazem bem para celebrar a vida é abrir as portas para o prazer de viver. Importante fazer registros mentais dos bons momentos! Escolha um lugar da casa para agradecer: pode ser um quadro de avisos, uma caixa, um pote de vidro… Escreva as coisas boas – agradáveis, prazerosas, alegres, belas, gentis – que acontecem no dia a dia e forme uma reserva de momentos a serem saboreados.

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Saborear a vida na perspectiva do savoring requer a disposição para se concentrar em elementos específicos. É importante aproveitar a experiência que cada sentido pode oferecer, sem sobrecarregar a mente com informações em demasia. Se o objetivo é saborear a sensação de relaxamento ao estar na cama, concentre-se no tato, aprecie a textura dos tecidos, a pressão do colchão, a maciez dos travesseiros, a sensação que tudo isso provoca em músculos, pele, etc. No savoring, a consciência da experiência é a chave para a maximização das emoções positivas.

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Saborear, maximizar e prolongar as emoções positivas é o objetivo do savoring, mas a arte de saborear a vida fica ainda melhor quando compartilhada. Conversar sobre coisas boas, falar sobre boas sensações e sentimentos, contribui para a experiência de savoring. Não é à toa que entre os benefícios do savoring se encontra o fortalecimento dos relacionamentos, melhor saúde física e mental. É por isso que a casa pode ser uma fonte para as experiências de savoring, pois é no espaço doméstico que somos convocados a narrar os nossos dias. A forma como escolhemos fazer isso pode tornar nossas vidas mais agradáveis ou não.

Imagens: Pinterest

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Como o sol entra na sua casa?

Estou de mudança pela segunda vez no ano. E depois de chorar um bocado, eu decidi. Deixo de lado os transtornos que uma mudança naturalmente traz e vou me ater às coisas boas que podem surgir dessa notícia. Não é fácil. Mas necessário.

Em busca de uma nova casa, entrei em muitos imóveis. Não conseguia entender o que era, mas algo me incomodava nelas. Mas não sabia exatamente o que era. A ponto de pensar “puxa, como eu sou chata, será que nenhum apartamento me serve? Será que tô querendo demais? Será que isso vai custar mais caro?”

Foi num estalo, quase batendo martelo num imóvel, que me dei conta. Antes de qualquer característica, nosso novo lar tinha uma condição sine qua non: a orientação solar adequada. Descobri que precisávamos partir disso para encontrar o lugar perfeito. Eu já sabia que os imóveis com a orientação solar voltada à face Norte são mais caros em São Paulo. Mas fazia questão e só seria feliz assim. Ter consciência disso mudou tudo.

Benefícios do sol da manhã, ou melhor, face Norte

Face Norte em São Paulo significa sol da manhã, geralmente até 11h30. Isso quer dizer, na prática, acordar com a luz solar fraca, que vai despertando gradativamente o organismo. O organismo vai liberando os hormônios necessários para o corpo entender: é hora de acordar e você pode fazer isso tranquilamente.

Ciclo circadiano

Há ainda a questão do ciclo circadiano, que pouca gente sabe ou se atenta: nosso organismo é programado para funcionar e liberar hormônios de acordo com a incidência de luz solar em cada momento do dia. Ter o sol nascendo na sua janela – assim como nos desenhos que você fazia na infância – não é só um elemento poético. É algo que vai afetar a sua saúde.

Nosso relógio biológico é programado para seguir o ritmo do sol. Quando temos sol mais forte, o organismo ganha mais condições internas para trabalhar, agir, se exercitar. Quando o sol vai baixando, ao fim do dia, o corpo entende que é hora de reduzir hormônios e ativar a melatonina, nos preparando para descansar.

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Projeto do Doob Arquitetura

São vários os benefícios de ter a orientação solar adequada: conforto térmico, iluminação natural adequada durante o dia todo e brisa suave, boa ventilação.

Face Sul

Imóveis voltados à face Sul são os mais problemáticos. Já morei em um e posso afirmar: são frios, congelantes. Muitas vezes úmidos, podem gerar mofo e mal-estar. Não recebem sol em nenhum momento do dia – ou quando recebem, são as primeiras horas da manhã e do fim da tarde.

Se você mora em um imóvel assim e tem animais, por exemplo, minha dica é suplementar a alimentação deles com vitamina D (dose indicada por veterinário, claro). Os bichinhos sentem falta do sol e certamente no inverno se sentirão meio depressivos em ambientes assim.

Logo, em casas escuras onde se acende luz artificial a todo momento, há mais umidade e até o cheiro pode ser diferente nos ambientes. Por isso, preste muita atenção nesse fato na próxima mudança de lar. Observe os movimentos do sol durante o dia todo, antes de fechar negócio. Pode ser crucial para se sentir bem lá dentro ou querer passar mais tempo longe do lar!

Imagem em destaque: Casa de Lília Mello em Pedra Azul

Imagem 1 – Spotless Agency

Imagem 2 – Manarelli Guimarães Arquitetura neste post

Imagem 3 – Julia Ribeiro

Imagem 4 – Visão para o Futuro

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