Quem é Hestia?

Hestia_tapestry

Por Angelita Corrêa Scardua

Hestia é uma das doze divindades do Olimpo Grego, sendo entre todas a primeira a nascer. Seus pais são os Titãs Cronos e Réia. Ela cresceu em graça e beleza, e logo chamou a atenção dos deuses Apolo e Poseidon que desejaram cortejá-la. Mas Hestia preferiu seguir um caminho fiel a sua natureza e de própria escolha. Em função disso, não se viu seduzida por armadilhas de poder, romance ou aventura, preferindo estar a serviço de sua família e comunidade. Zeus, agradecido pela dedicação de Hestia, não só apoiou o desejo da deusa em permanecer solteira, mas decretou que o seu nome deveria ser mencionado pela primeira vez em qualquer oração e que ela deveria receber a primeira parcela de qualquer sacrifício e ser honrada nos templos de cada uma das divindades do Olimpo. Como reconhecimento a sua importância, Zeus entregou à Hestia as chaves da casa da família (o Monte Olimpo).

Assim, Hestia tornou-se admirada por todos os deuses, sendo a personificação da moradia estável. Ocupa o lugar de protetora das famílias, das moradias e também das cidades. Hestia simboliza a permanência e a continuidade da família e da civilização. Seu culto é muito simples, sendo consagrado pelo pai ou pela mãe nas famílias e pelas autoridades políticas nas cidades. Na Antiga Grécia, sua chama sagrada e perpétua era mantida nos lares, nos templos e no centro político de cada cidade. Todas as cidades possuíam o fogo de Hestia, colocado no palácio onde se reuniam as tribos.

Hestia representa o calor que chega com a pessoa e demora certo tempo para se firmar, é a alma da casa, o que a aquece. O aconchego do ambiente, o conforto do que é imaterial. Hestia é tanto o processo de cozedura do pão e das refeições familiares e comemorativas nas comunidades, quanto é o fogo que aquece os lares com o calor da lareira e do fogão. Ela é a chama que ilumina o centro da cidade, o centro da Grécia, o centro do Universo. É a “alma” das coisas!

O nome de Hestia tanto significa “essência” como “coração”: a verdadeira natureza de tudo. Era conhecida como “Chefe das deusas” e “Hestia, Primeira e última”, sendo a mais influente e amplamente reverenciada das deusas gregas. Apesar disso, hoje ela é praticamente desconhecida. Há entre estudiosos da Mitologia Grega quem se refira à deusa Hestia como “a deusa esquecida”.Talvez isso se deva ao fato de que, ao contrário das outras deusas gregas, Hestia não tem uma “história”. . . Há pouquíssimos relatos de aventuras  que a envolvam.

Hestia simplesmente “é”! Não são suas ações que a definem, mas suas virtudes: leveza, suavidade, tolerância, serenidade, dignidade, calma, segurança, estabilidade, acolhimento, perdão, equilíbrio.

Por suas virtudes, o círculo simboliza Hestia como a deusa “completa”, a deusa que está inteira, “um completo dentro de si mesma”. Simbolicamente, Hestia é vista como aquela que, além de psicologicamente “centrada”, representa o centro: o centro da casa e da família, da cidade e do mundo. No Imaginário grego,  a extinção da chama de Hestia equivalia à morte, a uma existência fria e estéril. A Tocha Olímpica é apenas um exemplo do simbolismo da chama viva que tem sobrevivido até os tempos modernos, muito embora raramente se lembre de que originalmente ela era acesa em honra à Hestia.

Deusa do lar, da família e da vida doméstica, Hestia não era adorada publicamente. Seu culto era privado, realizado no resguardo do lar. Era uma deusa sem templos, mas seu papel de protetora do lar a consagrou como a “Deusa da Arquitetura”! Héstia preconizava que as casas fossem construídas a partir do centro para fora, com o centro sendo um forno no qual continha a chama sagrada. Na perspectiva de consagração à Hestia, uma casa deve ser um lugar onde o corpo, o espírito, a mente e os relacionamentos são alimentados e reabastecidos. . . Um lugar para “se retornar” após a exposição ao frio e ao caos do mundo exterior.

É nessa casa abrigo, santuário e alcova que Hestia habita. É nessa casa que o coração é aquecido pelas chamas sagradas da deusa, e a mente é iluminada por sua luz. É com as chamas reconfortantes de Hestia que o corpo da casa e os corpos de seus moradores são acalentados. É assim, na casa que nos envolve e acolhe, que a deusa Hestia nos confere segurança, paz e conforto. É assim que ela nos ajuda a aceitar e a acolher a verdade nua e crua da vida cotidiana, reconhecendo na simplicidade da rotina diária os alimentos que nutrem e enriquecem a vida interior. É assim que Hestia nos ensina a encontrar felicidade nas pequenas coisas com as quais esquecemos de nos encantar!

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