O que muda na relação do profissional de Design de Interiores com o cliente na pós-pandemia?

Excerto da Palestra que realizamos no CONAD 2020

As transformações no uso e na organização da casa apresentadas, na primeira parte desta palestra pela Carol, apontam para novas maneiras de lidarmos com os espaços construídos, sejam esses públicos ou privados.

Essas mudanças sinalizam novas direções para a forma de vivermos socialmente. Assim, eu diria que essas possibilidades, que expomos aqui, indicam sim uma transformação do ponto de vista social… Mas não apenas!

Eu ouso dizer que essas mudanças, caso se concretizem, indicam o fim da “Modernidade Líquida”, como descrita pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman. A sociedade da modernidade líquida, conceituada pelo Bauman, seria uma consequência do processo de globalização do mundo, e se caracterizaria basicamente por 3 fatores:

– Fluidez

– Movimento

– Imprevisibilidade

Nesse contexto, família, amor, amizade, identidade se liquefazem. As formas de pensar, viver e agir seguem a moda. Valores e princípios são relativizados em nome das novidades, das tendências.

Os interesses econômicos sobrepõem-se às relações humanas. O senso de comunidade e de solidariedade são substituídos pelo lado mais obscuro do individualismo: o egoísmo.

Na sociedade líquida, o cidadão se torna consumidor, as relações são substituídas por conexões e a felicidade é reduzida ao prazer.

Então, por que trabalho com a hipótese de que o advento da pandemia do Covid-19 sinaliza o fim da Modernidade Líquida?

Porque ao sermos convocados ao isolamento social, somos chamados a repensar nossas prioridades. Confinados em casa, somos levados a refletir sobre o que é realmente essencial em nossas vidas: sejam objetos, atividades, lugares, pessoas…

Somos demandados a nos relacionarmos em profundidade com aqueles com quem habitamos. Temos de aprender a conviver, ou reconhecer que não sabemos ou queremos… Assim, nos vemos inclinados a repensar a validade das relações que estamos construindo.

Estar em casa ininterruptamente nos dá novas perspectivas do trabalho, do tempo, da vida. Estar em casa nos faz experienciar o espaço doméstico de outra forma. Exige que nos apropriemos da nossa casa.

Esse momento, de restrição da liberdade de circulação nos espaços públicos, faz da casa o espaço inequívoco da vida. O lugar, primeiro e último, no qual a vida é manifesta em todos os níveis da existência: espiritual, material, afetivo e cognitivo.

A casa da pandemia é local de trabalho, de lazer, de culto, de exercício… E, de repente, descobrimos que a casa precisa ser mais do que paredes sólidas e móveis harmonicamente compostos.

A casa da pandemia precisa ser lar, para que ela possa nos sustentar em nossa angústia, em nossos medos, em nossos sonhos, em nossa esperança.

E é aí que você, profissional de Design de Interiores, precisa rever sua relação com o cliente. Porque o cliente que emergirá do isolamento social apropriou-se da casa. Esse cliente terá outra perspectiva sobre a função, a estética e o lugar da casa na vida dele.

O profissional de Design de Interiores, para atender a esse novo cliente, precisará valer-se de ferramentas psicológicas que o ajudem a se vincular ao desejo do morador, não mais apenas tecnicamente, mas emocionalmente.

Esse novo cliente, que se anuncia, deixa de ser apenas “o proprietário”. Ele exigirá um relacionamento expressivo com o profissional que adentrará sua intimidade. Um relacionamento baseado em uma comunicação assertiva e positiva, na troca de experiências, no acolhimento da história, das necessidades e anseios de um morador que já não mais vê a própria casa como dormitório no fim do dia, ou vitrine para as visitas.

O morador que promete emergir da casa da pandemia, emerge tendo uma perspectiva da casa como espaço de transformação. Uma transformação que se inicia nos hábitos cotidianos, nas relações familiares, na rotina de trabalho, nas escolhas de modos de entretenimento, mas vai além… Tendendo a se expandir para a vida social e para os espaços fora de casa também.

Esse tempo confinados em casa nos transformará, totalmente ou parcialmente, e fará da casa o ponto de partida para uma mudança que ultrapassa a fronteiras de nossas vidas individuais.

Você, profissional de Design de Interiores, tem uma nobre tarefa nessa jornada de transformação. Caberá a você traduzir essa nova perspectiva do morar, ressignificando a casa.

Uma casa cuja sala exigiu se abrir para o convívio familiar, e exigirá se abrir para as amizades que sobreviverem ao distanciamento físico.

Uma casa cuja cozinha exigiu ocupar o protagonismo dos dias, nos intimando à aventura do processo alquímico de transformar ingredientes em alimento, refeições em afeto.

Uma casa cujo quarto exigiu não apenas o descanso do corpo, mas a restauração dos sentimentos e o abrigar dos sonhos.

Uma casa cuja varanda exigiu dos nossos olhos a capacidade de enxergar com carinho, e certa melancolia, o mundo externo que deixamos ao fecharmos a porta.

É esta casa que você precisa ajudar a construir, porque será a casa de um novo tempo, ainda que ele seja marcado pela lentidão que a mudança das mentalidades preconiza.

Um tempo que não reestabelecerá a sociedade sólida como a que precedeu Bauman, mas certamente não restaurará a sociedade líquida que ele descreveu.

Hoje, temos em mãos a oportunidade de erigir um novo modelo de sociedade. Menos superficial, menos consumista, menos egoísta, baseada em vínculos mais consistentes e profundos, e em uma relação mais significativa com o tempo e o espaço no qual vivemos.

A casa é o capítulo inicial dessa possibilidade de ressignificarmos a vida. E você, Designer de Interiores, pode ser o coautor dessa nova história.

Você é feliz na sua casa?

Nós do Projeto Hestia (@projetohestia) estamos fazendo uma pesquisa sobre a relação de brasileiros com a própria casa. Você só precisa de 1 minuto para responder o questionário que vai nos ajudar a construir conhecimento sobre o jeito de morar brasileiro.

Clique no link:

Se você mora em apartamento alugado: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSePTN6AuNRTwUQz6XpNn3sgh4ZBxGgO-dCftmyW2Kd2t3rutg/viewform

Se você mora em apartamento próprio: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSflUz2i_MWoaDiIXyGd0Z2j0C80oDjrWsvr8MNLTfIknpv4-A/viewform

Se você mora em casa alugada: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSc5KS_UCD11yqN1fJsCayY8K1YajlP3oLoYLzLVmi366ifwng/viewform

Se você mora em casa própria: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLScUwwJ1kK4Oiaxi_YuRTAtdm4ftlDMrXf45xmxM23W2ItdtgA/viewform

Agradecemos muito!

Em Casa… A Arte de Saborear a Vida!

Na língua inglesa, a palavra “Savoring” está originalmente destinada às experiências associadas ao paladar, como comer e beber. Talvez sua melhor tradução para o português seja saborear. Os estudos de psicologia sobre a felicidade, contudo, expandiram a função do termo savoring, criando um conceito que vai muito além dos sabores. Na perspectiva do bem-estar psicológico, o savoring seria a capacidade das pessoas de reconhecer e apreciar experiências de vida agradáveis. Melhor dizendo, savoring seria a habilidade de viver plenamente as emoções positivas associadas a um momento.

8d7a6c164d117998e57630c3cea50bcd

O savoring acontece quando, conscientemente, estabelecemos uma conexão entre o que estamos fazendo e o que estamos sentindo durante um momento prazeroso. Não é apenas se sentir bem, mas é tentar prolongar a sensação agradável porque se tem a consciência de que ela nos faz bem. Na perspectiva psicológica, podemos vivenciar o savoring em situações tão diversas quanto diante da visão hipnótica de um céu estrelado, em uma conversa estimulante, lendo, ouvindo música, revendo antigas fotos, caminhando em meio à natureza ou relaxando no sofá em uma tarde preguiçosa.

ef6ce25e3836e06a1f906461fae39b30

Por um lado, é muito comum que associemos prazer e bem-estar unicamente com passeios e experiências que nos levem para longe da rotina diária. Por outro, a maior parte da vida que vivemos acontece no ritmo compassado do tempo cotidiano, e a casa que habitamos é o cenário de parte considerável dessa vida. Se esperamos apenas os escapes de fim de semana, ou das férias, para obter prazer, saborearemos muito pouco de nossas vidas. De muitas maneiras, nossa casa pode ser uma fonte segura para o savoring no dia a dia, mas para isso precisamos aguçar nossos sentidos e, com a consciência alerta, aprender a ver beleza e contentamento onde costumamos a viver automaticamente.

13609de0491ee706bcafda350befc96c

Prestar atenção aos sentidos é parte essencial do savoring. Para saborear as alegrias da vida, é necessário apreciar, melhorar e prolongar ativamente as experiências que possam gerar emoções positivas, sem culpa! Por exemplo: investir em coisas que proporcionam prazer estético, que ajudam a tornar o ambiente doméstico mais bonito, é uma maneira de praticar savoring. Mas não basta sair comprando coisas bonitas e entulhar a casa. Para que a beleza se converta em uma experiência de savoring, há que haver uma conexão entre o gosto estético dos moradores e os elementos decorativos escolhidos. Isso, porque o savoring dependerá do prazer que a apreciação do objeto provoca no observador.

a779f9e999a839bf8d40b9c18c32593f

Uma das lições do savoring é que ele depende de um envolvimento consciente da pessoa, mas isso não quer dizer que se deva racionalizar a experiência. Dito de outra forma, evite analisar a experiência, pois isso diminuirá o prazer. Ouvir música em casa é uma boa maneira de se praticar savoring, mas para isso é necessário concentrar-se na música, deixar-se envolver pelo ritmo, guiar-se pela melodia… Cantar e dançar como se ninguém estivesse olhando pode aumentar o mergulho sensorial na experiência.

0f1d63fc6d23c1ce2e10aaf803cf6677

Praticar o savoring é um processo que aumenta o prazer que sentimos no momento presente, mas podemos saborear igualmente situações vividas no passado ou que ainda viveremos futuramente. Podemos saborear a memória de um passado positivo, dando destaque na decoração para fotos ou objetos que remetem a momentos felizes, por exemplo. Cultivar plantas, planejando o desenvolvimento delas e visualizando todo o potencial de crescimento que têm, cria condições para vivenciar o prazer associado não apenas ao processo do cultivo em si, mas também aos benefícios que elas trarão, como embelezamento da casa, maior frescor no verão, ou ingredientes frescos para a culinária no caso de ervas e temperos.

402780d7ecacabf8fdd6096e6eaf1531

A celebração de conquistas, realizações e datas comemorativas, é uma boa maneira de nutrir o espaço doméstico com experiências favoráveis ao savoring. Dispense o bar, o restaurante e similares, receber em casa pessoas que nos fazem bem para celebrar a vida é abrir as portas para o prazer de viver. Importante fazer registros mentais dos bons momentos! Escolha um lugar da casa para agradecer: pode ser um quadro de avisos, uma caixa, um pote de vidro… Escreva as coisas boas – agradáveis, prazerosas, alegres, belas, gentis – que acontecem no dia a dia e forme uma reserva de momentos a serem saboreados.

a63487ca8c92fff133b34881713612a5

Saborear a vida na perspectiva do savoring requer a disposição para se concentrar em elementos específicos. É importante aproveitar a experiência que cada sentido pode oferecer, sem sobrecarregar a mente com informações em demasia. Se o objetivo é saborear a sensação de relaxamento ao estar na cama, concentre-se no tato, aprecie a textura dos tecidos, a pressão do colchão, a maciez dos travesseiros, a sensação que tudo isso provoca em músculos, pele, etc. No savoring, a consciência da experiência é a chave para a maximização das emoções positivas.

hnjkwPU37U7FJp9fmbepFb-768-80

Saborear, maximizar e prolongar as emoções positivas é o objetivo do savoring, mas a arte de saborear a vida fica ainda melhor quando compartilhada. Conversar sobre coisas boas, falar sobre boas sensações e sentimentos, contribui para a experiência de savoring. Não é à toa que entre os benefícios do savoring se encontra o fortalecimento dos relacionamentos, melhor saúde física e mental. É por isso que a casa pode ser uma fonte para as experiências de savoring, pois é no espaço doméstico que somos convocados a narrar os nossos dias. A forma como escolhemos fazer isso pode tornar nossas vidas mais agradáveis ou não.

Imagens: Pinterest

Algumas das imagens utilizadas são de divulgação. Se você é autor de uma ou mais delas, e não foi devidamente citado, entre em contato conosco aqui.

Como a luz pode emocionar

Luz muda tudo ao redor – não apenas o ambiente, mas principalmente nosso humor e as emoções. E se uma boa temperatura de luz é necessária para nos sentirmos mais felizes em determinados ambientes, o mesmo se pode dizer de luminárias, lustres, abajures e todas as formas de comunicar a luz: elas transmitem um estado de espírito. Visualmente, têm efeito de uma jóia no décor.

Na Semana de Design de Milão 2019, o Salone del Mobile trouxe uma nova edição da Euroluce, evento que acontece a cada dois anos. Desta vez, essa sensação de que as luminárias são como jóias ficou ainda mais forte. Não pelo show e pelas cenografias, que praticamente têm a obrigação de impressionar. Mas pelas formas, materiais, técnicas cada vez mais elaborados. Tudo isso leva valor à iluminação.

Liason é essa luminária minimalista de Sara Moroni para a Axolight. Sugere o equilíbrio de forma leve e fina, com geometrias marcantes.

Quando se tem a temperatura certa, a dose de luz adequada, a luminária proporcional ao ambiente, pode-se dizer que a equação tem tudo pra ser um sucesso. Mas observe uma questão essencial que faz parte dessa tríade: saber usar as luzes. Sim, muita gente acende só para mostrar a iluminação à visita e depois apaga, ou acende tudo ao mesmo tempo.

Design de Marcantonio para Slamp

Se você não souber acionar, ou não tiver facilidade, ou achar que vai gastar uma fortuna na conta de luz, vai certamente perder muito da experiência real e calorosa de passar horas em um espaço que satisfaz plenamente. Um bom projeto de iluminação torna fácil a ação do morador e traz as melhores experiências.

As luminárias-arte da Euroluce 2019 trazem essa mensagem com leveza, arte, diversão e imponência. Teve muito minimalismo sim, mas em paralelo a peças escultóricas que atraíam todas as atenções. Abaixo, uma seleção das mais interessantes para o Hestia.

Cores no vidro

O vidro colorido atraía para selfies na Bocci: eram as luminárias 28, que surgem em versões de lustres de cores e estilos diferentes. Lúdica e graciosa, a peça traz alegria à vista.

Marcantonio para Slamp

A irreverência e a diversão com que o designer italiano Marcantonio cria é impressionante. Para a Slamp, surgiram essas luminárias de mesa que evocam a simplicidade e o estilo clássico.

Elena Salmistraro: dê um Google neste nome

Nome incensado em Milão neste ano, a designer levou seu design lúdico neste lançamento, a Miami, para a Torremato. A inspiração? O art déco que permeia a cidade.

Pelo FuoriSalone…

As formas, materiais e cores também causaram impacto com luz. Veja as ideias mais marcantes desta edição.

Girafas apaixonadas

Para a Qeeboo, o designer Marcantonio apostou em girafas de 4 m de altura, que carregavam lustres na boca – repare no olhar de apaixonadas, proposital – elas estavam espalhadas pelo FuoriSalone em diferentes pontos da cidade.

Cristina Celestino para Kundalini

A luminária de vidro e latão da designer Cristina Celestino para a marca Kundalini leva o simpático nome de Lilli e remete à flor de lírio.

Arte na IQOS World

A marca IQOS World criou uma instalação com luzes incríveis, que traziam uma sensação de preenchimento de espaços incomum. Isso impulsionou os imensos zíperes que haviam na obra, que levavam a refletir sobre superficialidade.

Leia também: Coisas pequenas que causam estresse sem que você saiba

Imagens de divulgação das próprias marcas citadas.

8 Coisas que causam estresse em casa sem você saber

O chuveiro que está vazando, a torneira que precisa trocar a carrapeta, a porta que emperrou: sabe essas coisinhas pequenas que você deixa pra resolver depois? Dia desses, eu vivi na prática: a torneira da cozinha estava começando a dar defeito. Foi o começo do fim.

Depois de um dia cansativo fora de casa, chegar, tirar os sapatos e relaxar era tudo o que eu (e tanta gente que conheço) deseja. O fim de um dia merece uma cereja de bolo: momentos calmos, comidinha leve, livros ou uma série na TV…

Em vez disso, uma casa cheia de pequenos reparos a serem resolvidos se anuncia e tira a paz de qualquer pessoa! Pesquisando, descobri mais coisas que podem causar estresse sem que a gente perceba. Eu poderia encontrar alguma pesquisa científica que respaldasse, mas por ora conto com o bom senso mesmo. Inconscientemente deixamos de notar essas coisinhas – elas acabam sendo invisíveis mesmo, no dia a dia.

E coisinhas pequenas vão se tornando monstros em uma casa. Sabe a minha torneira? Tive uma DR brava com meu marido sobre lavar louça – e olhe que ele lava, dividimos bem as tarefas. Era pura irritação do momento mesmo. Veja a lista:

1 – Piso sujo

O prazer de tirar os sapatos quando você chega em casa é indescritível? Então mantenha o piso limpo, e evite entrar com calçados nela. Sabe aquela areia que fica no chão? Pode ser extremamente irritante, sem que você note.

2- Bagunça

De vez em quando pessoas compartilham que quem é criativo é mais bagunceiro. Deve dar orgulho dizer isso pra quem não consegue se organizar, mas a verdade é que é exatamente o contrário. A bagunça pode inclusive atrapalhar o rendimento e a estruturação de ideias.

3- Casa toda fechada

Ela fica abafada e vai te causar uma sensação ruim. É essencial abrir as janelas ao acordar e à noite, pelo menos. Se não dá pra ficarem abertas durante o dia, deixe pelo menos uma fresta. Os ambientes ficam mais leves com a circulação do ar.

Das Haus 2016, Sebastian Herkner, imm cologne 2016

4- Quarto conectado

A automatização da vida é inegável – e inclusive eu sou uma entusiasta de ter todo tipo de ajuda das máquinas em casa – mas cuidado pra não automatizar demais esse ambiente que precisa tanto ser relaxante. Luzes de stand-by ligadas à noite, TV até altas horas, luz branca são exemplos que tornam o quarto um espaço irritante, mesmo que esteja visualmente calmo.

5- Cama bagunçada

Sabe aquela roupa de cama amarrotada, ou sem trocar há mais de uma semana? Também contribui com a irritação. Lave semanalmente, no mínimo, pra não ter problemas com alergia. A poeirinha que fica nos lençóis e as células mortas contribuem deixando um cheiro ruim, que pode impregnar o quarto.

6- Espaços escuros

Quando você não pode abrir as janelas (por causa dos vizinhos), e precisa acender a luz em qualquer momento do dia, a melhor dica é mudar de casa. Acredite, isso vai te incomodar alguma hora, sem que você perceba.

7- Vazamento, infiltração, mofo e por aí vai

Não espere o marido consertar. Chame alguém que tenha experiência nesse tipo de reparos e pare de se estressar. Quanto ao mofo, há tutoriais no Youtube, mas às vezes só funciona mudando de casa mesmo. Mas resolva, você não merece uma casa que não funciona!

8- Cuba que respinga, cadeira alta demais…

O modelo era lindo na loja e você se apaixonou de cara! Acredite, aconteceu aqui. Em casa, tendo meninos como maioria na família, era irritação certa chegar e ver a pia do banheiro toda molhada. A cuba era muito rasa e a toalha ficava longe dela – dois erros que juntos dão em estresse. Cadeira inadequada para o home office também é um problema daqueles bonitinhos, mas ordinários.

Daria pra citar muitos outros pequenos elementos que roubam nossa energia secretamente, silenciosos, dia após dia sorrateiros diante dos nossos narizes. Mas se você resolver esses, já dá pra ficar em paz, não?

Siga-nos no Instagram que lá tem conteúdo diferente todo dia.

É bom ter plantas no quarto?

Quando um dinamarquês está triste, ele já sabe: deve se reconectar à natureza. Logo ele busca uma floresta e ganha novas energias. Vi esses dias em um documentário que explicava a força desse elemento sobre o índice de felicidade deles, que é altíssimo.

Casa no campo

Sim, mesmo em temperaturas geladas, mesmo que não tenham samba como nós, mesmo que…tantas coisas mais que acreditamos trazer a felicidade! E nada disso faz tanto sentido quanto a natureza para um dinamarquês.

Efeito comprovado

6944f088a1292102ef792ff74494c592

O efeito benéfico das plantas nos lugares em que habitamos é amplamente comprovado pela ciência. Um estudo feito em 2008 pela Sociedade Americana de Ciências da Horticultura concluiu que as plantas podem ser parte importante da cura em um quarto de hospital após uma cirurgia.

A amostra envolveu 90 pacientes que se recuperavam de uma operação para remoção do apêndice. Os que receberam flores e plantas em seus quartos de hospital no pós-operatório precisaram de menos remédios, tiveram respostas fisiológicas mais positivas.

Eles tinham ainda menor pressão arterial sistólica e frequência cardíaca, menores avaliações de dor, ansiedade e fadiga. Os sentimentos positivos e a maior satisfação com seus quartos também aumentou no final.

Menos estresse

Em outro estudo (esse mais recente), os cientistas propuseram que algumas pessoas passassem pelo menos 10 minutos por dia em contato com a natureza. No fim, era avaliada a quantidade de cortisol, hormônio associado ao estresse, circulando pelo organismo dessas pessoas. Descobriram que quando as pessoas se expunham à natureza mais de 3 vezes por semana, por mais de 20 minutos, havia as menores taxas de estresse.

Experiência própria

_4244

Sempre amei ter plantas dentro de casa – até mesmo no quarto. Há muitos mitos espalhados por aí: plantas fazem mal, atrapalham a troca de oxigênio com o ambiente, e por aí vai…Mas esqueça tudo isso. Na prática, os médicos dizem que não há problema em ter plantas por perto – inclusive, no trabalho, na sala de estar, no banheiro e no quarto elas são bem-vindas.

Nueva_030

Enquanto não há pesquisas especificas que falem sobre benefícios de ter plantas no quarto, digo os que sinto ao vê-las: de manhã, já acordo mais animada. O verde me traz sensações boas de vigor e isso é essencial para o meu dia começar bem.

bedroom bulb interior decoration lamp

O que me incomoda mesmo é quando mato uma planta. Por isso, ao longo da vida, percebi que essas são as plantas que melhor sobrevivem no quarto:

Suculentas

plantas suculentas

Em vasinhos pequenos, ficam lindas ao lado da cabeceira. Aposte nelas ou num aquário pequeno com um jardim delas!

Crótons

Simpática, essa planta sobrevive em lugares fechados, sem receber luz direta do sol. Mas abra as janelas pelo menos uma vez ao dia – experiência própria, elas amam.

Árvore da felicidade

Essa eu nunca tive, mas lembro de uma tia que teve e dava certo. Vale fazer a experiência e se ela começar a desistir, troque de lugar.

plantas no quarto - foto de Carol Scolforo

No showroom da Gervasoni, no Salão de Design de Milão 2019, essa árvore no quarto me chamou a atenção. Repare na iluminação especial, que fez toda a diferença para dar destaque a ela.

Zamioculca

É uma graça e fica linda numa mesinha no canto do quarto. Também é difícil matar essa planta, ainda bem! Já tive e ela sobreviveu…hehe

Lança de São Jorge

É bem resistente, mas não muito recomendada para quem tem bichos. Aliás, para quem tem bichos, a dica é colocar as plantas no alto – eles são curiosos e mordem mesmo. O resultado é que a planta não gosta, e o gato ou cachorro pode passar mal.

Peperômia

Essa eu tenho aos montes na minha casa. É difícil matar uma peperômia e se você fizer isso, sugiro que só tenha mesmo plantas artificiais…

Imagens:

1 e 2 – Pixabay; 3 – acervo Hestia; 4 – nueva; 5 e 6 – Burst, Pexels.com; 7 – Carol Scolforo

Antidepressivo para casas

Já ouviu falar dela? Geralmente países que passam por invernos rigorosos, pesados adotam a Faxina da Primavera como um momento muito feliz do ano. É como se as pessoas se despedissem de uma temporada sombria, tirassem um peso da casa e da vida, subindo o enxoval de inverno e preparando o lar para os novos ares, o novo clima, a temperatura mais leve. Por aqui não é tão comum. Especialmente no Brasil temos verão praticamente o ano todo. Mas é sempre boa a sensação de tirar um peso da morada.

Por Carol

tire sapatos.jpg

Depois de anos colaborando com revistas de decoração, design e arquitetura, observo que quanto mais nos preocupamos com selecionar o que entra na nossa casa, nos nossos olhos e na nossa vida, maior é a sensação de satisfação sobre o resultado. Essa curadoria precisa ser cada vez mais afinada. É não deixar o lar ser levado pela vida, querer que ele fique sempre melhor, tirar o que já não serve para entrarem novas coisas, que nos farão mais felizes. Ando praticando esse Home Detox, e tem dado certo aqui.

Doe, conserte, venda – tire da sua casa:

1 – objetos sem utilidade, feios, quebrados ou rachados.

2 – roupas que já não usa há um ano, assim como sapatos, meias, peças íntimas furadas.

3 – plantas mortas ou doentes.

4 – papéis sem função.

5 – contas antigas.

6 – remédios, produtos e cosméticos vencidos.

7 – Panelas e potes plásticos sem tampa, ou com cabo quebrado.

8 – Coisas que você pensa “uma hora eu vou usar” e nunca usa.

9 – Apetrechos eletrônicos que já não têm utilidade mais, como o DVD, que você pode doar (tem o OLX, venda e faça uma grana).

10 – Frascos antigos, sem beleza, porque você acha que uma hora vai precisar.

Não tenha pena. Sua casa não é lixo. E esqueça isso de “eu posso precisar”. Liberte as coisas, desprenda-se. Faz um bem enorme se desfazer das coisas – e dar espaço ao novo é muito gratificante. Pode ser que isso tenha um pé no feng shui, mas eu acredito mesmo é no poder de uma boa organização e na leveza que faz milagres na vida.

Imagem: Pixabay

 

Casa dos Sonhos

Na Psicologia profunda, a casa é um elemento tão relevante na história pessoal e no desenvolvimento psicológico que, simbolicamente, ela está associada à própria psique individual. Pelo menos é o que parece nos dizer a casa em nossos sonhos! Então, com qual casa você tem sonhado?

Por Angelita

BassamFellowsJournal_Glass_House_Fog_2

Como um símbolo universal, a casa é um dos centros do mundo. É um lugar sagrado, no qual a morada coletiva da humanidade (o Universo) é representada individualmente. A casa é o ventre materno, a origem do ser humano, o centro da civilização, o espelho da cultura coletiva e o reflexo da identidade individual. Na visão do Psiquiatra suíço Carl Jung, o que acontece dentro de uma casa acontece dentro de nós mesmos. É por isso que a casa é um símbolo muito rico, constituído por imagens primordiais (arquetípicas), que expressam os anseios, as necessidades e as potencialidades humanas por excelência. Desde sempre, faz parte da jornada dos seres humanos sobre a Terra a busca por um lugar seguro no qual possamos criar, desenvolver, registrar e abrigar a própria história.

dd3a8fb873e1cddf382c3bc1c568d437

Assim, a casa representa diferentes camadas da psique, e na teoria junguiana ela ocupa lugar relevante quando nos debruçamos sobre o significado psicológico dos sonhos. A casa é um elemento recorrente nos sonhos, e neles ela é tanto um símbolo da personalidade consciente com a qual atuamos no mundo exterior quanto dos aspectos mais íntimos da nossa mente inconsciente. Ou seja, no sonho, a casa quase sempre representa a própria personalidade do sonhador em seus aspectos conhecidos e desconhecidos. Em função disso, as diferentes partes da casa que aparecem em um sonho têm significados distintos para o indivíduo. A parte externa da casa, por exemplo, pode representar nuances da nossa Persona – os aspectos da personalidade que usamos para interagir com o mundo exterior.

d2e5f2cd3db3fabaa9fe6be1e5689e19

Os vários andares da casa sonhada estão relacionados com o valor simbólico das dimensões geométricas verticais, relativas aos mundos do “acima” e do “abaixo”. Telhados, teto e pisos superiores podem corresponder àquilo que é mais consciente em nossa personalidade, representando os conteúdos com os quais lidamos mais racionalmente, dos quais mais nos orgulhamos e sobre os quais temos mais autocontrole. Similarmente, pisos inferiores, porões, cisternas, poços, escadas e alçapões que levam ao subsolo estariam associados ao que é parcial ou totalmente inconsciente em nossa personalidade. Os espaços inferiores da casa sonhada também podem ser a morada do que é instintivo em nós, do que foge ao controle da razão, daquilo sobre nós que nos causa vergonha, desconforto, medo, insegurança e raiva.

ac3b1826c4aaeff1e301cfa22f1bcca2

Os diferentes níveis da casa em um sonho também podem refletir distintos períodos de tempo, diversos estágios do crescimento pessoal do sonhador e as muitas faces do seu desenvolvimento psicológico. As inúmeras facetas da personalidade de uma mesma pessoa podem se insinuar nos cômodos desconhecidos que aparecem na casa do sonho, cujas portas estão fechadas, que são escuros ou cujo interior não pode ser vislumbrado ou lembrado pelo sonhador ao acordar. A organização e distribuição dos muitos cômodos na casa dos sonhos pode lançar alguma compreensão sobre como o sonhador anda conduzindo as diferentes áreas e tarefas da vida. Uma biblioteca pode oferecer pistas sobre a tomada de consciência e a reflexão racional sobre muitos temas pessoais. Um banheiro pode sinalizar o quanto nos sentimos confortáveis, adequados e limpos com a expressão e a renovação das próprias emoções. A cozinha, lugar de transformação dos alimentos, é o espaço no qual a luz do fogo ilumina e aquece, dando vida nova aos ingredientes amortecidos, no qual calor e frio se alternam para operar a transmutação alquímica de uma coisa em outra. Por essa razão, a cozinha nos sonhos quase sempre nos fala sobre como nos conectamos com os aspectos intuitivos da nossa personalidade, os mesmos que costumam nos ajudar a transmutar sentimentos e vivências, nos levando a ver conteúdos significativos nas experiências.

cozinha

As condições de organização e manutenção da casa sonhada costumam dar indicações sobre como cuidamos de nós mesmos. Em um sonho todas as informações sobre a casa são importantes para uma análise psicológica: se ela é antiga ou nova, se está em bom estado de conservação ou não, se é limpa ou não, se é habitada ou abandonada, se está mobiliada ou vazia, se é a casa que habitamos ou nos lembra outra moradia na qual já moramos ou estivemos, se é desconhecida… Uma casa cuja fachada está em perfeito estado, mas o interior está quebrado, sujo, com vazamentos, etc., pode indicar que o sonhador negligencia aspectos importantes da própria personalidade para sustentar uma imagem que ele considera socialmente desejável ou correta, por exemplo. O fato é que todos temos que morar em algum lugar. Seja esta necessidade expressa no mundo exterior ou no interior. Assim como no mundo exterior, no mundo interior a nossa casa tem características que ajudam a nos identificar e a definir como indivíduos.

Banheiro

As várias partes de uma casa simbolizam os muitos aspectos e possibilidades da personalidade humana. A casa com a qual você sonha, portanto, revela tanto aquilo que você já reconhece como sendo você quanto aquilo que ainda lhe é desconhecido sobre quem você realmente pode vir a ser. Então, com qual casa você tem sonhado?

 

Imagem 1: Yellow Trace

Imagem 2: Glass House, por Philip Johnson

Imagem 3 e 4: Pinterest

Imagem 5: Kanoon

Imagem 6: Architectural Digest

Imagem 7: Vilssa

 

Algumas das imagens utilizadas são de divulgação. Se você é autor de uma ou mais delas, e não foi devidamente citado, entre em contato conosco aqui.

 

Casa Materna

Nossa primeira habitação é o corpo das nossas mães. O ato de nascer é a despedida dessa casa original, na qual estamos abrigados das adversidades do mundo e na qual somos gerados para as potencialidades da vida. Simbolicamente, portanto, as casas nas quais moramos após o nascimento são como o corpo materno que tanto nos protege do mundo quanto nos coloca em contato com ele. Residimos no corpo da mãe e na casa concreta, mas se o primeiro nos oferece cuidado, a segunda nos convoca a cuidar. Então, como você tem tratado a sua casa materna?

Por Angelita

27bba9deaea30a9ec3d3196f17662e1d

Assim como as mães são diferentes umas das outras, as casas também são. Há mães gentis, ternas e acolhedoras. Há mães frias, distantes e rígidas. Há mães controladoras, exigentes e severas. Há mães negligentes, indiferentes e egoístas. Há mães abnegadas, dedicadas e sacrificadas. Há mães que combinam muitas dessas características… Há mães e mães.  E, similarmente, há casas frias, casas acolhedoras, casas sufocantes, casas gentis, casas desconfortáveis, casas alegres e tristes. Há muitas formas de uma mãe ou casa ser. A diferença é que, quase sempre, estamos dependentes da mãe como ela é, mas quanto à casa podemos ter independência para decidir como queremos que ela seja.

cd3f7637f49022b2b99fb5f692984de3

Podemos fazer da nossa casa um útero realmente gentil, um abrigo que nos nutre e guarda dos incômodos do mundo exterior, nos fortalecendo para a batalha transformadora da vida que acontece do lado de fora da nossa porta. É comum, porém, que nos relacionemos com a casa na qual moramos guiados, inconscientemente, pela experiência afetiva que temos com as nossas mães. Por exemplo, uma pessoa que tem uma mãe fria ou negligente pode ter dificuldades em criar vínculo com a própria casa. Pessoas assim tendem a não se envolver com o próprio lar, moram quase que acampados ou em casas cuja organização e decoração são totalmente decididas por outras pessoas. Da mesma forma, pessoas que têm mães controladoras e exigentes podem se tornar obsessivas quanto à arrumação e limpeza da casa, ou serem totalmente relaxadas e bagunceiras.

4d6c3e93460131dd7b41a3f85ad0119e

A relação psicológica entre a percepção que temos da casa e a nossa vivência infantil com a figura materna é sensível. Em função disso, cuidar da própria casa pode ser uma experiência de cura. Cuidando do espaço no qual habitamos podemos aprender a cuidar de nós mesmos, a nos amarmos como não nos sentimos cuidados ou amados na infância. Podemos desenvolver a habilidade, o gosto e o prazer de criar um lugar terno para a nossa existência.  Quando decidimos cuidar do espaço no qual moramos, consciente ou inconscientemente, escolhemos acolher a pessoa que somos da melhor maneira possível. E isso se dá pelo fato de que a casa é o espaço que faz a ponte entre a privacidade dos aspectos mais íntimos da vida e a publicidade do que há de mais superficial nas interações com o mundo exterior.

ff82dd6311bc77c424a16f4c3aeedeb9

A casa, portanto, é um símbolo que expressa o conflito entre a diferenciação e a integração. Ao mesmo tempo em que ela separa seu habitante do contexto social, individualizando-o, ela o integra às regras sociais do mundo no qual ele vive. A casa que habitamos tem as marcas da cultura na qual nascemos, mas tem também o lastro da evolução biológica dos seres humanos. A casa, assim como a mãe, é uma experiência universal. A experiência de habitar o corpo materno e de construir um abrigo é parte constitutiva da História humana. As duas experiências remetem a necessidade de resguardar-se dos perigos que ameaçam a vida. As duas experiências remetem a necessidade de nos desenvolvermos adequadamente para o enfrentamento desses perigos.

ae6cd4cbd21339af157060903cecd7c4

Ao final de tudo, talvez, tão importante quanto ocupar-se dos perigos que espreitam do lado de fora, seja tratar com carinho e respeito a casa na qual moramos. pois que a nossa moradia é o espaço que pode nos reabastecer da energia necessária para viver. Uma vez que ele é como o corpo no qual somos gerados, o ponto de partida para o enfrentamento da vida. Então, como você tem tratado a sua casa materna?

 

Fotos: Pinterest

 

Algumas das imagens utilizadas são de divulgação. Se você é autor de uma ou mais delas, e não foi devidamente citado, entre em contato conosco aqui.