Restaurantes pós-pandemia: 4 soluções curiosas do design

Se tem um hábito que aumentou no Brasil durante a pandemia foi o de cozinhar. Com restaurantes fechados e um sistema de delivery ainda aquém das facilidades que o brasileiro gosta, muita gente resolveu ir para a cozinha se arriscar em receitas. O consumo de fermento e de itens como feijão, trigo e arroz aumentou 22%, o que confirma isso.

Mas e quando a vida voltar ao “normal”? Até nos sentirmos plenamente confiantes de ir a restaurantes levará um tempo. Os especialistas já preveem que haverá uma competição para mostrar aos clientes qual deles é o mais seguro.

O fato é que o jeito de comer fora está sendo repensado. Muitas ideias estão surgindo vindas do design. Muito além das normas de higienização que muitos restaurantes e lanchonetes afirmam que seguirão à risca, algumas marcas já tomaram medidas mais interessantes. E não é só distanciar as mesas. Veja só:

1 – Estufas de vidro e comida entregue na tábua

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Serres Separées, ou em tradução literal, estufas separadas, é uma das iniciativas mais bonitas da temporada. À beira do rio em Amsterdã, o restaurante serve um menu por meio de tábuas longilíneas – tudo entregue à distância.

Mediamatic Amsterdam

Garçons de faceshield e tudo feito sob luzes indiretas, com o charme holandês. Mas a dúvida ainda fica: serão higienizados corretamente após cada dupla ou trio de clientes sair dali?

2 – Cúpula de vidro para cada um

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Plex’eat é a criação do designer Christophe Gernigon para restaurantes sofisticados. Mas a dúvida sobre higienização permanece…E mais: como dialogar com quem está à mesa sem se estressar?

3 – Painéis de acrílico interfaces

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Parece uma solução eficaz, mas será que todos os restaurantes terão tempo e recursos para higienizar todos os painéis após a saída dos clientes? A gente espera que sim. A solução está à venda em vários sites americanos.

4 – Uma pessoa só à mesa

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Bord for Ën, ou Mesa para Um é um projeto (ainda não real) que surgiu na Suécia – e até agora parece o mais acertado. Uma mesa num campo bucólico, para apenas uma pessoa. A cesta vem por uma corda com o prato escolhido – o casal de criadores não apostou em variedades. Ideia simples, real, mas é claro, difícil de ser aplicada nas cidades.

E aí, se animou? Conta pra gente se você está animado pra comer fora?

Como o sol entra na sua casa?

Estou de mudança pela segunda vez no ano. E depois de chorar um bocado, eu decidi. Deixo de lado os transtornos que uma mudança naturalmente traz e vou me ater às coisas boas que podem surgir dessa notícia. Não é fácil. Mas necessário.

Em busca de uma nova casa, entrei em muitos imóveis. Não conseguia entender o que era, mas algo me incomodava nelas. Mas não sabia exatamente o que era. A ponto de pensar “puxa, como eu sou chata, será que nenhum apartamento me serve? Será que tô querendo demais? Será que isso vai custar mais caro?”

Foi num estalo, quase batendo martelo num imóvel, que me dei conta. Antes de qualquer característica, nosso novo lar tinha uma condição sine qua non: a orientação solar adequada. Descobri que precisávamos partir disso para encontrar o lugar perfeito. Eu já sabia que os imóveis com a orientação solar voltada à face Norte são mais caros em São Paulo. Mas fazia questão e só seria feliz assim. Ter consciência disso mudou tudo.

Benefícios do sol da manhã, ou melhor, face Norte

Face Norte em São Paulo significa sol da manhã, geralmente até 11h30. Isso quer dizer, na prática, acordar com a luz solar fraca, que vai despertando gradativamente o organismo. O organismo vai liberando os hormônios necessários para o corpo entender: é hora de acordar e você pode fazer isso tranquilamente.

Ciclo circadiano

Há ainda a questão do ciclo circadiano, que pouca gente sabe ou se atenta: nosso organismo é programado para funcionar e liberar hormônios de acordo com a incidência de luz solar em cada momento do dia. Ter o sol nascendo na sua janela – assim como nos desenhos que você fazia na infância – não é só um elemento poético. É algo que vai afetar a sua saúde.

Nosso relógio biológico é programado para seguir o ritmo do sol. Quando temos sol mais forte, o organismo ganha mais condições internas para trabalhar, agir, se exercitar. Quando o sol vai baixando, ao fim do dia, o corpo entende que é hora de reduzir hormônios e ativar a melatonina, nos preparando para descansar.

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Projeto do Doob Arquitetura

São vários os benefícios de ter a orientação solar adequada: conforto térmico, iluminação natural adequada durante o dia todo e brisa suave, boa ventilação.

Face Sul

Imóveis voltados à face Sul são os mais problemáticos. Já morei em um e posso afirmar: são frios, congelantes. Muitas vezes úmidos, podem gerar mofo e mal-estar. Não recebem sol em nenhum momento do dia – ou quando recebem, são as primeiras horas da manhã e do fim da tarde.

Se você mora em um imóvel assim e tem animais, por exemplo, minha dica é suplementar a alimentação deles com vitamina D (dose indicada por veterinário, claro). Os bichinhos sentem falta do sol e certamente no inverno se sentirão meio depressivos em ambientes assim.

Logo, em casas escuras onde se acende luz artificial a todo momento, há mais umidade e até o cheiro pode ser diferente nos ambientes. Por isso, preste muita atenção nesse fato na próxima mudança de lar. Observe os movimentos do sol durante o dia todo, antes de fechar negócio. Pode ser crucial para se sentir bem lá dentro ou querer passar mais tempo longe do lar!

Imagem em destaque: Casa de Lília Mello em Pedra Azul

Imagem 1 – Spotless Agency

Imagem 2 – Manarelli Guimarães Arquitetura neste post

Imagem 3 – Julia Ribeiro

Imagem 4 – Visão para o Futuro

Algumas das imagens utilizadas são de divulgação. Se você é autor de uma ou mais delas, e não foi devidamente citado, entre em contato conosco aqui.

No Palco da Cozinha Integrada

A cozinha da Casa Willey, projetada por Frank Lloyd Wright, em 1934, foi a primeira versão arquitetônica de cozinha em plano aberto da modernidade. Com o fim da Segunda Grande Guerra, e o acelerado crescimento econômico do Ocidente na segunda metade do Século XX, o estilo de vida das famílias mudou. Novas formas de ocupação do tempo surgiram, na medida em que o trabalho doméstico foi sendo facilitado pela popularização dos eletrodomésticos, da comercialização de comida congelada, pronta ou semipronta, da maior permanência de crianças e adolescentes na Escola e em atividades extracurriculares.  Tais mudanças geraram uma crescente busca pelo lazer e por momentos de interação social que acabariam por influenciar a forma de estar em casa, e especialmente na cozinha.

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A cozinha integrada da Casa Willey, de Wright, viria a fornecer o projeto ideal para todos que queriam se sentir plenamente integrados ao estilo de vida moderno, progressivo e hedônico oferecido pelos avanços tecnológicos e sociais que caracterizaram a segunda metade do Sec. XX. O cinema norte-americano e as séries de TV disseminaram pelo mundo a imagem da casa projetada em plano aberto, com cozinhas integradas à área social, e habitadas por famílias ou grupos de amigos divertidos, prósperos e, obviamente, muito modernos!

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A tendência das cozinhas abertas criou um crescente mercado para utensílios com design arrojado e preços astronômicos! Espremedores de frutas, chaleiras, panelas, faqueiros e luminárias de grife decoram a cozinha exposta para os convidados, transformando-a no palco principal de uma casa que também precisa oferecer entretenimento e sofisticação para seus frequentadores. No palco da cozinha aberta, sempre haverá um morador que deseja se sentir um chef em um reality show de culinária.

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O problema é que essa cozinha cinematográfica e espetacularizada não pode ficar suja ou bagunçada. Ela deve funcionar como a vitrine de um estilo de vida, e não como o cômodo no qual lidamos com restos de comida e pratos sujos. Sendo assim, a mais nova solução para a cozinha aberta tem sido a cozinha auxiliar, uma cozinha menor, na qual os alimentos são pré-preparados e a louça suja é depositada. A cozinha auxiliar é um recurso estratégico muito utilizado por restaurantes com cozinhas abertas para o público, mas que tem ganhado espaço no âmbito doméstico. Outra solução para a cozinha integrada à área de estar é seu ostracismo. Cozinhas invisíveis, disfarçadas por armários bem planejados, que no máximo servem para esquentar a água do chá.

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O fato é que o avanço da cozinha aberta para a área social, a despeito de todo o discurso de sofisticação feito para vendê-la, revela um aspecto desagradável das habitações contemporâneas: a perda de espaço! Nada mais incongruente matematicamente do que a ideia de que ter menos cômodos implica em mais espaço. Essa conta, ainda que ilusória, não fecha! Assim, de um jeito ou de outro, a cozinha vai ocupando um lugar coadjuvante nas casas atuais, mesmo quando protagoniza o projeto arquitetônico. Em geral, a cozinha protagonista, aberta e visível para os visitantes, é uma cozinha pensada para os dias festivos, nos quais o teatro em torno da palavra “gourmet” é encenado pelo aspirante a chef da família ou do grupo de amigos.

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A cozinha do dia a dia ainda requer espaço, ela exige privacidade para que as partes não glamourosas do ato de cozinhar possam ser encenadas sem disfarces. A cozinha do dia a dia se constrói mais eficazmente com resguardos e janelas que permitam escoar os odores, a fumaça, a umidade das fervuras e os respingos de gordura. A cozinha do dia a dia oferece lugar para o preparo de refeições ligeiras ou demoradas, para um, dois ou dez comensais. A cozinha do dia a dia oculta entre paredes os barulhos das tarefas cotidianas, protegendo o resto da casa da bagunça sonora de metais, madeira, água e louça. A cozinha do dia a dia é o laboratório dos que cozinham por amor, por prazer, por necessidade ou obrigação… Mas o que é a experiência da vida diária se não uma combinação de tudo isso?!

Imagem 1: The Willey House

Imagem 2: Said Apartment

Imagem 3: Decor Dev

Imagem 4: Home Planss

Imagem 5: Mirdizajna

Imagem 6: Ikea

Algumas das imagens utilizadas são de divulgação. Se você é autor de uma ou mais delas, e não foi devidamente citado, entre em contato conosco aqui.

Como a luz pode emocionar

Luz muda tudo ao redor – não apenas o ambiente, mas principalmente nosso humor e as emoções. E se uma boa temperatura de luz é necessária para nos sentirmos mais felizes em determinados ambientes, o mesmo se pode dizer de luminárias, lustres, abajures e todas as formas de comunicar a luz: elas transmitem um estado de espírito. Visualmente, têm efeito de uma jóia no décor.

Na Semana de Design de Milão 2019, o Salone del Mobile trouxe uma nova edição da Euroluce, evento que acontece a cada dois anos. Desta vez, essa sensação de que as luminárias são como jóias ficou ainda mais forte. Não pelo show e pelas cenografias, que praticamente têm a obrigação de impressionar. Mas pelas formas, materiais, técnicas cada vez mais elaborados. Tudo isso leva valor à iluminação.

Liason é essa luminária minimalista de Sara Moroni para a Axolight. Sugere o equilíbrio de forma leve e fina, com geometrias marcantes.

Quando se tem a temperatura certa, a dose de luz adequada, a luminária proporcional ao ambiente, pode-se dizer que a equação tem tudo pra ser um sucesso. Mas observe uma questão essencial que faz parte dessa tríade: saber usar as luzes. Sim, muita gente acende só para mostrar a iluminação à visita e depois apaga, ou acende tudo ao mesmo tempo.

Design de Marcantonio para Slamp

Se você não souber acionar, ou não tiver facilidade, ou achar que vai gastar uma fortuna na conta de luz, vai certamente perder muito da experiência real e calorosa de passar horas em um espaço que satisfaz plenamente. Um bom projeto de iluminação torna fácil a ação do morador e traz as melhores experiências.

As luminárias-arte da Euroluce 2019 trazem essa mensagem com leveza, arte, diversão e imponência. Teve muito minimalismo sim, mas em paralelo a peças escultóricas que atraíam todas as atenções. Abaixo, uma seleção das mais interessantes para o Hestia.

Cores no vidro

O vidro colorido atraía para selfies na Bocci: eram as luminárias 28, que surgem em versões de lustres de cores e estilos diferentes. Lúdica e graciosa, a peça traz alegria à vista.

Marcantonio para Slamp

A irreverência e a diversão com que o designer italiano Marcantonio cria é impressionante. Para a Slamp, surgiram essas luminárias de mesa que evocam a simplicidade e o estilo clássico.

Elena Salmistraro: dê um Google neste nome

Nome incensado em Milão neste ano, a designer levou seu design lúdico neste lançamento, a Miami, para a Torremato. A inspiração? O art déco que permeia a cidade.

Pelo FuoriSalone…

As formas, materiais e cores também causaram impacto com luz. Veja as ideias mais marcantes desta edição.

Girafas apaixonadas

Para a Qeeboo, o designer Marcantonio apostou em girafas de 4 m de altura, que carregavam lustres na boca – repare no olhar de apaixonadas, proposital – elas estavam espalhadas pelo FuoriSalone em diferentes pontos da cidade.

Cristina Celestino para Kundalini

A luminária de vidro e latão da designer Cristina Celestino para a marca Kundalini leva o simpático nome de Lilli e remete à flor de lírio.

Arte na IQOS World

A marca IQOS World criou uma instalação com luzes incríveis, que traziam uma sensação de preenchimento de espaços incomum. Isso impulsionou os imensos zíperes que haviam na obra, que levavam a refletir sobre superficialidade.

Leia também: Coisas pequenas que causam estresse sem que você saiba

Imagens de divulgação das próprias marcas citadas.

É bom ter plantas no quarto?

Quando um dinamarquês está triste, ele já sabe: deve se reconectar à natureza. Logo ele busca uma floresta e ganha novas energias. Vi esses dias em um documentário que explicava a força desse elemento sobre o índice de felicidade deles, que é altíssimo.

Casa no campo

Sim, mesmo em temperaturas geladas, mesmo que não tenham samba como nós, mesmo que…tantas coisas mais que acreditamos trazer a felicidade! E nada disso faz tanto sentido quanto a natureza para um dinamarquês.

Efeito comprovado

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O efeito benéfico das plantas nos lugares em que habitamos é amplamente comprovado pela ciência. Um estudo feito em 2008 pela Sociedade Americana de Ciências da Horticultura concluiu que as plantas podem ser parte importante da cura em um quarto de hospital após uma cirurgia.

A amostra envolveu 90 pacientes que se recuperavam de uma operação para remoção do apêndice. Os que receberam flores e plantas em seus quartos de hospital no pós-operatório precisaram de menos remédios, tiveram respostas fisiológicas mais positivas.

Eles tinham ainda menor pressão arterial sistólica e frequência cardíaca, menores avaliações de dor, ansiedade e fadiga. Os sentimentos positivos e a maior satisfação com seus quartos também aumentou no final.

Menos estresse

Em outro estudo (esse mais recente), os cientistas propuseram que algumas pessoas passassem pelo menos 10 minutos por dia em contato com a natureza. No fim, era avaliada a quantidade de cortisol, hormônio associado ao estresse, circulando pelo organismo dessas pessoas. Descobriram que quando as pessoas se expunham à natureza mais de 3 vezes por semana, por mais de 20 minutos, havia as menores taxas de estresse.

Experiência própria

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Sempre amei ter plantas dentro de casa – até mesmo no quarto. Há muitos mitos espalhados por aí: plantas fazem mal, atrapalham a troca de oxigênio com o ambiente, e por aí vai…Mas esqueça tudo isso. Na prática, os médicos dizem que não há problema em ter plantas por perto – inclusive, no trabalho, na sala de estar, no banheiro e no quarto elas são bem-vindas.

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Enquanto não há pesquisas especificas que falem sobre benefícios de ter plantas no quarto, digo os que sinto ao vê-las: de manhã, já acordo mais animada. O verde me traz sensações boas de vigor e isso é essencial para o meu dia começar bem.

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O que me incomoda mesmo é quando mato uma planta. Por isso, ao longo da vida, percebi que essas são as plantas que melhor sobrevivem no quarto:

Suculentas

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Em vasinhos pequenos, ficam lindas ao lado da cabeceira. Aposte nelas ou num aquário pequeno com um jardim delas!

Crótons

Simpática, essa planta sobrevive em lugares fechados, sem receber luz direta do sol. Mas abra as janelas pelo menos uma vez ao dia – experiência própria, elas amam.

Árvore da felicidade

Essa eu nunca tive, mas lembro de uma tia que teve e dava certo. Vale fazer a experiência e se ela começar a desistir, troque de lugar.

plantas no quarto - foto de Carol Scolforo

No showroom da Gervasoni, no Salão de Design de Milão 2019, essa árvore no quarto me chamou a atenção. Repare na iluminação especial, que fez toda a diferença para dar destaque a ela.

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É uma graça e fica linda numa mesinha no canto do quarto. Também é difícil matar essa planta, ainda bem! Já tive e ela sobreviveu…hehe

Lança de São Jorge

É bem resistente, mas não muito recomendada para quem tem bichos. Aliás, para quem tem bichos, a dica é colocar as plantas no alto – eles são curiosos e mordem mesmo. O resultado é que a planta não gosta, e o gato ou cachorro pode passar mal.

Peperômia

Essa eu tenho aos montes na minha casa. É difícil matar uma peperômia e se você fizer isso, sugiro que só tenha mesmo plantas artificiais…

Imagens:

1 e 2 – Pixabay; 3 – acervo Hestia; 4 – nueva; 5 e 6 – Burst, Pexels.com; 7 – Carol Scolforo

Quando os pets ganham vantagem na decoração

Sempre digo que na minha casa somos 4 moradores: eu, o Guilherme, o Renato e o Severiano. O último é um gato, mas a gente até esquece esse detalhe. Parece que somos todos gatos, ou ele é humano, sei lá. O fato é que quando eu não tinha um animal de estimação morria de rir de quem fazia isso. Agora entendo: eles se tornam uma extensão da família. Tratar como um bebê é irresistível – e não vou entrar nesse quesito, ok?

No país, a população de pets cresce exponencialmente: dados do IBGE mostram que já existem mais de 50 milhões de cães e 22 milhões de gatos nos lares brasileiros. Se você tem um peludo sabe do que estou falando. O mercado pet cresce porque a gente ama tudo que tem ligação com eles.

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Os gatos adoram arranhar superfícies com texturas. No projeto do Doob Arquitetura isso foi levado em conta. Fotos de Julia Ribeiro

As arquitetas Daniele Okuhara e Beatriz Ottaiano, da Doob Arquitetura, e Ana Yoshida, do escritório Ana Yoshida Arquitetura e Interiores, atentas a isso, dedicaram espaços especiais nestes projetos a eles. Com isso, dá pra ver que é possível ter um lar adaptado aos cachorros e gatos e bonito.

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No projeto do Doob Arquitetura, o gato tem vez

É preciso, claro, pensar na escolha dos materiais e outras dicas que fazem a diferença no dia a dia da família. Eu já perdi um sofá com os arranhões do Severiano. O outro sofá já não tem fundo, porque o terrorista se escondia ali e destruiu o forro. Tá perdoado, ok… A gente faz capas novas, mas eu aprendi que com gatos é preciso ter estofados e tapetes lisos, sem texturas que os atraiam para afiar unhas.

Outras dicas: 

  1. Como fazer a adaptação dos ambientes e a segurança

Durante o projeto, o profissional de arquitetura e decoração deve considerar espaços específicos para o descanso, alimentação e as necessidades fisiológicas dos pets. Para facilitar o acesso, passagens adaptadas podem ser instaladas nas portas. “Para quem mora em apartamentos ou sobrados, é imprescindível investir em redes de proteção nas janelas e varandas”, enfatiza a arquiteta Ana Yoshida.

  1. Piso certo

Praticidade é a tônica na escolha do revestimento escolhido para o chão, já que casa com pet exige limpeza diária. “Se um cliente demonstra interesse por um piso de madeira, sugerimos repensar a escolha. O material sofre com os arranhões, deteriora com a acidez da urina dos cães e limita o processo de limpeza, já que não podem lavados”, explica a arquiteta Beatriz Ottaiano, da Doob. A mesma restrição acontece com o piso laminado, que se deteriora com a umidade.

Esta casa na Granja Viana, em São Paulo, ganhou um espaço para os pets. Projeto de Ana Yoshida. Fotos de Luis Simione

Entre as opções, o porcelanato aparece como o tipo de revestimento que atende os mais variados estilos de decoração.

Tem vários acabamentos disponíveis – amadeirados, marmorizados e aqueles que imitam concreto, entre outros –, e podem ser limpos com facilidade. “Para quem não gosta do toque frio do porcelanato, há ainda a opção do piso vinílico. Embora não possa ser lavado com balde de água, tem resistência maior à água”, diz Beatriz.

E a plaquinha no alto da casinha? Uma fofura a mais pensada por Ana Yoshida
  1. Acerte no revestimento das paredes

Faz parte do comportamento dos cães o hábito de esfregar o corpo nas paredes da casa. O mercado oferece inúmeras opções de tintas acrílicas laváveis e que facilitam a faxina. Sobre a escolha das cores, as mais escuras são fortes aliadas. Ajudam a disfarçar a sujeira e, no caso de papel de parede, as versões de vinil podem ser facilmente higienizadas com pano úmido.

  1. Móveis e decoração

Os cães, principalmente os extrovertidos, não têm noção de cuidado com os móveis e com parte de decoração da casa. Assim, acabam batendo em objetos. Além de danificar os itens, podem provocar acidentes. Assim, é aconselhável usar estantes fechadas. No caso de gatos, que adoram subir em móveis, a marcenaria pode ser pensada para proporcionar um maior grau de dificuldade nessa escalada.

Neste outro projeto de Ana Yoshida, o cão pode subir no sofá sem neuras. Fotos de Evelyn Muller

Cadeiras

As profissionais da Doob Arquitetura sugerem peças produzidas à base de polipropileno ou polietileno, que são mais práticos de limpar. “Se optarmos por cadeiras de madeira revestidas com tecidos, sempre damos preferência para fibras sintéticas às naturais em linho e algodão”, explica Beatriz.

Projeto do Doob Arquitetura. Foto de Julia Ribeiro

Também é importante considerar, tanto para as cadeiras como sofás, a impermeabilização ou blindagem do tecido para driblar, em tempo hábil, qualquer imprevisto.

Tramas fechadas nos estofados

Para os apaixonados pelos felinos, tramas fechadas são ideais para que as garras não estraguem os tecidos. “Com trama de poliéster e algodão impenetrável, o tecido impermeável tem uma ótima relação custo-benefício e é simples de limpar. Tendência na decoração, a lona de caminhão também é bastante usada”, conta Danielle.

Completando a decoração, cortinas de linho ou voil devem ser desconsideradas, pois podem desfiam com facilidade. Pensando em durabilidade, persianas de rolo são as mais indicadas. No tocante aos tapetes, a sugestão é escolher um modelo produzido com fibras sintéticas de vinil e poliéster, que são laváveis e apresentam a trama totalmente fechada.

  1. Casinhas para pets

Em casas ou apartamentos não há necessidade de usar a estrutura de uma casinha. “Geralmente, elegemos estofados posicionados em um cantinho”, explica Ana Yoshida. Para quem tem uma boa área externa e pretende construir uma casinha para o cachorro, um bom material para é o pistão. A limpeza é fácil e ele permite que a casa fique mais arejada.  Caso seja possível, vale construir a casinha sobre uma base de alvenaria para não precisar suspender a estrutura durante a lavagem da área.

Agradecimentos: Doob Arquitetura e Ana Yoshida

Leia também: Poesia no Olhar

O elemento raro que a sua casa deve ter

Uma casa, um conto e uma experiência curiosa

Sempre interessado em experiências relacionadas ao morar, o filósofo Alain de Botton escreveu, há alguns anos, o livro Arquitetura da Felicidade, que rendeu documentário homônimo ainda mais interessante. Mas, neste projeto, batizado de Living Architecture, ele se supera: prova na prática todas as suas teorias de que as casas que habitamos podem ser muito mais interessantes, curiosas e instigantes. E que não vivê-las intensamente é um desperdício.

Por Carol

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A ideia é ousada: ele se aliou a escritórios de arquitetura ao redor do mundo para criar casas como a House For Essex, que estão abertas para que as pessoas passem temporadas. Assim, podem sentir na pele o que ele explica há tanto tempo. Você aluga a casa por alguns dias e pode viver a experiência sozinho ou com mais três amigos.

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Ludicidade

Esta em especial, perto da costa de Essex, na Inglaterra, traz uma ludicidade que remete a contos de fada. Seria, talvez, uma lenda moderna – coisa que atrai cada vez mais as novas gerações. Elaborada pelo escritório de arquitetura FAT, a casa é definida por eles como “uma declaração radical sobre a arquitetura e sua capacidade de narrativa e comunicação”, e idealizada como uma capela dedicada à santa Julie Cope, que conta uma história fictícia rica e complexa.

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O exterior, revestido por mais de 1900 azulejos verdes e brancos, traz símbolos associados à vida de Julie Cope. Ela aparece no telhado, em um cata-vento gigante. Tudo, para eles, se trata de um lugar monumental, acolhedor, talvez um pouco perturbador, mas divertido, sobretudo, já que os visitantes passam por uma série de desdobramentos de espaços – com paredes interessantíssimas, nos mais minuciosos detalhes.

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“É um devaneio tridimensional sobre a religião, história local, feminismo, felicidade e morte”, diz o autor, Charles Holland.

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Os preços para alugar as casas são salgados, mas não saem muito do que bons hotéis ingleses oferecem. Aqui, a experiência com cada objeto se transforma em dias imersos em um conto – e isso pode valer mais que uma estadia em qualquer hotel! www.living-architecture.co.uk.

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Curiosa, não? 

Mais casas do Living Architecture

Balancing Barn: casa suspensa que desafia a gravidade

Uma casa suspensa: assim é a Balancing Barn, que tem tijolinhos de inox. Repare no belo balanço no jardim – suspenso pela casa!

Secular Retreat tem paisagem bucólica ao redor

Com projeto do suíço Peter Zumthor, a casa Secular Retreat fica em Devon. É uma casa térrea repleta de janelas envidraçadas, para absorver a paisagem e relaxar completamente, longe do cenário urbano.

Shingle House: na praia

Muitas praias da Inglaterra são deixadas de lado. Esta é uma delas – perfeita para Alain se aliar ao NORD (Northern Office for Research and Design) a fim de um projeto que vê o lado poético da solitude. Com isso, pense em poltrona de leitura com vista para o mar, em uma cozinha aberta à paisagem da praia e interiores sóbrios, mas com um toque de cor.

Alain sempre pensa em experiências que façam o morador se relacionar com o entorno por meio da casa. Seja com a decoração ou pela arquitetura, o morar deve ter encanto, profundidade e fazer nossas vidas valerem a pena!

Fotos: Living Architecture

Mude de casa e turbine a memória

Sempre tem uma casa que marca sua vida pra sempre. No meu caso, foi a que meus pais construíram, onde vivi toda a adolescência. Minhas memórias vão até lá, quando vem a nostalgia. Tive uma surpresa imensa nesses dias, quando vi que os cientistas atestaram isso: os episódios vividos na adolescência e no começo da juventude são os mais marcantes para a memória porque as emoções são realçadas por hormônios disparados e um cérebro mais novo e curioso.

Por Carol

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É por isso que guardamos lembranças bem frescas dessa fase – em contrapartida, à medida em que envelhecemos, as memórias se tornam menos vívidas. Mas os pesquisadores da Universidade de New Hampshire foram além no estudo e acharam algo interessante: quando nos mudamos de casa, nossa mente fica mais fresca e rejuvenesce semelhante ao que acontece na adolescência. Nos lembramos mais de episódios relacionados ao período de mudança de casa, porque envolvemos emoções fortes nesse tempo.

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No estudo, o público acima de 65 anos deveria citar sua mudança mais marcante entre os 40 e os 60 anos. Os cientistas esperavam que cerca de 13% das memórias importantes estivesse relacionada a mudanças de casa – que, convenhamos, às vezes é até traumática, não? São tantas caixas…Tantas mudanças internas e desapego! Enfim, os cientistas encontraram um número maior: 26% das experiências marcantes a essas pessoas aconteceram entre um ano antes e um ano depois da mudança de casa. O que os levou a acreditar que mudar de residência aguça as lembranças antes e depois do fato em si, como um efeito dominó que contamina outras áreas da vida. E isso é ótimo! A casa nova traz ao cérebro a melhor fixação de experiências na memória.

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Eu diria, em uma visão bem pessoal, que quando mudamos de casa precisamos fazer uma nova configuração interna também. Sair da zona de conforto e enfrentar um novo mapeamento, encontrar novos jeitos de viver e de ajustar os móveis. É preciso se adaptar ao novo espaço, e isso requer um esforço do cérebro. Experiência de quem já se mudou 11 vezes na vida e pretende se mudar muito mais. Algumas coisas se quebram pelo caminho, eu sei, mas nada melhor que viver dias inéditos – e mais alegres, quem sabe!

Fotos: Pixabay

Algumas das imagens utilizadas são de divulgação. Se você é autor de uma ou mais delas, e não foi devidamente citado, entre em contato conosco aqui.

Trabalho doméstico

Cada vez mais pessoas optam por, ou precisam de, trabalhar em casa. Levar o escritório para dentro de casa pode ter vantagens e desvantagens. Entre os benefícios há a possibilidade de organizar o espaço de trabalho com a cara do dono, seja no aspecto estético e/ou funcional. Além, é claro, da autonomia que se ganha sobre a rotina profissional… Mas, é também aí que reside o perigo! Quer saber por quê?

Por Angelita

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No nosso Imaginário sociocultural a casa é o espaço privado, lugar no qual podemos nos permitir relaxar e sermos essencialmente autênticos. O local de trabalho corresponde ao espaço público, no qual nos contermos como indivíduos e nos adequarmos aos modos definidos pela sociedade em que vivemos. Conciliar esses dois lugares em um só pode ser uma tarefa com muitas armadilhas. Ainda assim, é possível recorrer a algumas estratégias que nos ajudem a sair ilesos da tentação do conforto caseiro e da procrastinação… Ou da invasão da vida pessoal pelo trabalho.

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Antes de qualquer coisa, defina um local para as atividades profissionais. Não importa se é uma mesa em um canto da casa ou um cômodo específico para o escritório. O importante é que a fronteira que delimita o espaço de trabalho seja clara para você e para todos que moram na casa. Regularmente, inspecione seu espaço de trabalho, identifique os elementos da vida doméstica que o invadiram e descarte-os. Você sabe a quais elementos me refiro, aqueles itens que distraem, que nos convidam a relaxar, anos sentirmos “em casa”: comidinhas, instrumentos de lazer como consoles de jogos, livros com temáticas não profissionais, revistas diversas, etc.

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Atente para a ergonomia dos móveis. Uma cadeira que não respeite a anatomia do corpo, que não tenha um encaixe adequado para a coluna e não mantenha os pés estavelmente plantados no chão, é um convite para o cansaço. O cansaço convida à dificuldade de atenção, à confusão mental, à irritabilidade, etc. Assim como os móveis, a iluminação do local de trabalho faz toda a diferença na disposição afetiva para trabalhar e no nível de energia disponível para as tarefas. Procure um lugar da casa que receba luz natural para organizar o local de trabalho. Iluminação abundante mantém a mente desperta e espanta o tédio. Quando a iluminação artificial for necessária, prefira luzes claras e diretas, que garantam a melhor visibilidade possível do que está sendo feito.

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Dê o seu toque pessoal. Um local de trabalho claro, organizado e pouco entulhado de supérfluos é o mais funcional para a produtividade e para definir claramente a fronteira entre espaço profissional e doméstico. Mas isso não significa que o seu escritório – atelier, oficina, etc. – em casa precise parecer um centro cirúrgico impessoal e estéril. Não tenha medo de cores, plantas, pôsteres, fotos, lembranças de viagem, etc. Procure trazer para o local de trabalho coisas que te inspiram, que evocam boas memórias, que te alegram, que te façam lembrar do que você gosta na vida. Com o tempo, trabalhando em casa, você irá descobrir o que melhor funciona para sua rotina, seu estilo de vida e o tipo de tarefa que precisa desempenhar. Observe!

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Por último, tenha em mente que a organização do espaço interfere no seu humor e na sua concentração. A busca pela simplificação, pelo não excesso, pela limpeza e claridade, não deve ser uma prisão estética na hora de montar seu escritório em casa. Esses elementos devem ser entendidos como uma orientação para a funcionalidade do local de trabalho. Mesas, gavetas e estantes desordenadas não são um obstáculo para a produtividade apenas, mas podem comprometer a criatividade e o fluxo de ideias. Quanto mais coisas você acumular, mais tempo será necessário para arrumar, encontrar, realizar, etc. Um espaço de trabalho em casa eficiente significa menos tempo desnecessário nele investido. Logo, mais energia e disposição para usufruir de horas extras que sobrarão para a vida doméstica. Afinal, não é este um dos principais objetivos quando se decide trabalhar em casa: ter mais tempo para você e sua família?!

 

Imagem 1: Lk Couture

Imagem 2: Café Land

Imagem 3: Home Designing

Imagem 4: Decoist

Imagem 5: Pinterest

Iamgem 6: Work Design

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