Restaurantes pós-pandemia: 4 soluções curiosas do design

Se tem um hábito que aumentou no Brasil durante a pandemia foi o de cozinhar. Com restaurantes fechados e um sistema de delivery ainda aquém das facilidades que o brasileiro gosta, muita gente resolveu ir para a cozinha se arriscar em receitas. O consumo de fermento e de itens como feijão, trigo e arroz aumentou 22%, o que confirma isso.

Mas e quando a vida voltar ao “normal”? Até nos sentirmos plenamente confiantes de ir a restaurantes levará um tempo. Os especialistas já preveem que haverá uma competição para mostrar aos clientes qual deles é o mais seguro.

O fato é que o jeito de comer fora está sendo repensado. Muitas ideias estão surgindo vindas do design. Muito além das normas de higienização que muitos restaurantes e lanchonetes afirmam que seguirão à risca, algumas marcas já tomaram medidas mais interessantes. E não é só distanciar as mesas. Veja só:

1 – Estufas de vidro e comida entregue na tábua

Mediamatic Amsterdam

Serres Separées, ou em tradução literal, estufas separadas, é uma das iniciativas mais bonitas da temporada. À beira do rio em Amsterdã, o restaurante serve um menu por meio de tábuas longilíneas – tudo entregue à distância.

Mediamatic Amsterdam

Garçons de faceshield e tudo feito sob luzes indiretas, com o charme holandês. Mas a dúvida ainda fica: serão higienizados corretamente após cada dupla ou trio de clientes sair dali?

2 – Cúpula de vidro para cada um

gernigon

Plex’eat é a criação do designer Christophe Gernigon para restaurantes sofisticados. Mas a dúvida sobre higienização permanece…E mais: como dialogar com quem está à mesa sem se estressar?

3 – Painéis de acrílico interfaces

plexiglass

Parece uma solução eficaz, mas será que todos os restaurantes terão tempo e recursos para higienizar todos os painéis após a saída dos clientes? A gente espera que sim. A solução está à venda em vários sites americanos.

4 – Uma pessoa só à mesa

mesa pra um

Bord for Ën, ou Mesa para Um é um projeto (ainda não real) que surgiu na Suécia – e até agora parece o mais acertado. Uma mesa num campo bucólico, para apenas uma pessoa. A cesta vem por uma corda com o prato escolhido – o casal de criadores não apostou em variedades. Ideia simples, real, mas é claro, difícil de ser aplicada nas cidades.

E aí, se animou? Conta pra gente se você está animado pra comer fora?

As lições japonesas do morar

As casas do outro lado do planeta reservam boas surpresas e um jeito de morar bastante diferente do nosso. Os japoneses têm uma arquitetura admirada pelo mundo: leveza, traços bem objetivos e suaves se insinuam nos desenhos premiados. Veja este edifício de Sousuke Fujimori e concorde comigo.

Joia Méridia, de Sou Fujimoto

Mas é dentro das casas que estão grandes lições a serem contempladas. E se tem uma palavra-lição do estilo de morar japonês, é essa: contemplar, pensar, antes de projetar uma casa ou apartamento. Veja abaixo cinco lições deles.

1 – Cortinas leves

No Japão tradicional, muitas cortinas são de madeira, em estilo rolô. Você pode até não gostar de persianas e tudo bem com isso. Mas o interessante é a leveza das cortinas: elas apenas deixam o ambiente mais privativo, sem bloquear a passagem de luz completamente. Isso ajuda nosso organismo humano a sintonizar com a luz do sol. Os benefícios são enormes, afinal, nossos hormônios são naturalmente regulados pelo sol. O despertar acontece na hora certa e gradualmente, ao contrário de um blackout. Isso ajuda na regulação interna de hormônios.

2 – Pias com bancadas de trabalho

Bancadas de preparo na cozinha japonesa são um estímulo a cozinhar

Elas facilitam e são um convite para o preparo das refeições. Os japoneses se alimentam bem – sabe-se disso no mundo todo – e talvez essa seja uma das maiores lições de seu lifestyle. Pias com espaços de trabalho, tábua de corte, facas apropriadas e muitos equipamentos de inox, que facilitam a limpeza dão um estímulo a cozinhar em casa. E isso é ótimo para a saúde.

3 – Panelas de barro

Bowls de cerâmica ou de barro ajudam a reter calor e mantêm propriedades nutricionais dos alimentos

Elas cozinham e retêm o calor por um bom tempo. Isso torna os preparos mais saborosos e ricos. No lugar do alumínio ou de outros materiais que podem até ser tóxicos, a panela de barro é ótima para nossa saúde, sem liberar metais e outros elementos.

4 – Tirar os sapatos antes de entrar em casa

Um estilo de Genkan: sapatos para serem usados em casa ficam no hall de entrada

Esse é um costume que teremos de adotar pós-pandemia: em um lugarzinho na entrada da casa chamado Genkan você tira os sapatos antes de entrar em casa. Isso evita uma série de coisas ruins: sujeira externa, bactérias e até vírus podem pegar carona na sola dos sapatos e contaminar nosso lar. Podemos ter um pequeno móvel na entrada ou mesmo na área de serviço para eles, como uma pista de pouso …que tal?

5 – Casas pequenas e otimizadas

Tiny house criada por Kengo Kuma: as habitações japonesas urbanas não são assim, claro. Mas a otimização interna comprova que não precisamos de muito espaço, e sim de gerenciá-lo bem

No Japão, é muito comum contratar um arquiteto para otimizar os espaços de uma casa. Mesmo com a verticalização, os japoneses vivem em metragens pequenas, mas são cuidadosos com seus lares. Esta Tiny House criada por Kengo Kuma é apenas um exemplo idílico de como não precisamos de uma casa muito grande no campo quando a ideia é vivenciar mais a natureza.

Imagens: Pexels e Pixabay