Quando os pets ganham vantagem na decoração

Sempre digo que na minha casa somos 4 moradores: eu, o Guilherme, o Renato e o Severiano. O último é um gato, mas a gente até esquece esse detalhe. Parece que somos todos gatos, ou ele é humano, sei lá. O fato é que quando eu não tinha um animal de estimação morria de rir de quem fazia isso. Agora entendo: eles se tornam uma extensão da família. Tratar como um bebê é irresistível – e não vou entrar nesse quesito, ok?

Por Carol

No país, a população de pets cresce exponencialmente: dados do IBGE mostram que já existem mais de 50 milhões de cães e 22 milhões de gatos nos lares brasileiros. Se você tem um peludo sabe do que estou falando. O mercado pet cresce porque a gente ama tudo que tem ligação com eles.

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Os gatos adoram arranhar superfícies com texturas. No projeto do Doob Arquitetura isso foi levado em conta. Fotos de Julia Ribeiro

As arquitetas Daniele Okuhara e Beatriz Ottaiano, da Doob Arquitetura, e Ana Yoshida, do escritório Ana Yoshida Arquitetura e Interiores, atentas a isso, dedicaram espaços especiais nestes projetos a eles. Com isso, dá pra ver que é possível ter um lar adaptado aos cachorros e gatos e bonito.

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No projeto do Doob Arquitetura, o gato tem vez

É preciso, claro, pensar na escolha dos materiais e outras dicas que fazem a diferença no dia a dia da família. Eu já perdi um sofá com os arranhões do Severiano. O outro sofá já não tem fundo, porque o terrorista se escondia ali e destruiu o forro. Tá perdoado, ok… A gente faz capas novas, mas eu aprendi que com gatos é preciso ter estofados e tapetes lisos, sem texturas que os atraiam para afiar unhas.

Outras dicas: 

  1. Como fazer a adaptação dos ambientes e a segurança

Durante o projeto, o profissional de arquitetura e decoração deve considerar espaços específicos para o descanso, alimentação e as necessidades fisiológicas dos pets. Para facilitar o acesso, passagens adaptadas podem ser instaladas nas portas. “Para quem mora em apartamentos ou sobrados, é imprescindível investir em redes de proteção nas janelas e varandas”, enfatiza a arquiteta Ana Yoshida.

  1. Piso certo

Praticidade é a tônica na escolha do revestimento escolhido para o chão, já que casa com pet exige limpeza diária. “Se um cliente demonstra interesse por um piso de madeira, sugerimos repensar a escolha. O material sofre com os arranhões, deteriora com a acidez da urina dos cães e limita o processo de limpeza, já que não podem lavados”, explica a arquiteta Beatriz Ottaiano, da Doob. A mesma restrição acontece com o piso laminado, que se deteriora com a umidade.

Esta casa na Granja Viana, em São Paulo, ganhou um espaço para os pets. Projeto de Ana Yoshida. Fotos de Luis Simione

Entre as opções, o porcelanato aparece como o tipo de revestimento que atende os mais variados estilos de decoração.

Tem vários acabamentos disponíveis – amadeirados, marmorizados e aqueles que imitam concreto, entre outros –, e podem ser limpos com facilidade. “Para quem não gosta do toque frio do porcelanato, há ainda a opção do piso vinílico. Embora não possa ser lavado com balde de água, tem resistência maior à água”, diz Beatriz.

E a plaquinha no alto da casinha? Uma fofura a mais pensada por Ana Yoshida
  1. Acerte no revestimento das paredes

Faz parte do comportamento dos cães o hábito de esfregar o corpo nas paredes da casa. O mercado oferece inúmeras opções de tintas acrílicas laváveis e que facilitam a faxina. Sobre a escolha das cores, as mais escuras são fortes aliadas. Ajudam a disfarçar a sujeira e, no caso de papel de parede, as versões de vinil podem ser facilmente higienizadas com pano úmido.

  1. Móveis e decoração

Os cães, principalmente os extrovertidos, não têm noção de cuidado com os móveis e com parte de decoração da casa. Assim, acabam batendo em objetos. Além de danificar os itens, podem provocar acidentes. Assim, é aconselhável usar estantes fechadas. No caso de gatos, que adoram subir em móveis, a marcenaria pode ser pensada para proporcionar um maior grau de dificuldade nessa escalada.

Neste outro projeto de Ana Yoshida, o cão pode subir no sofá sem neuras. Fotos de Evelyn Muller

Cadeiras

As profissionais da Doob Arquitetura sugerem peças produzidas à base de polipropileno ou polietileno, que são mais práticos de limpar. “Se optarmos por cadeiras de madeira revestidas com tecidos, sempre damos preferência para fibras sintéticas às naturais em linho e algodão”, explica Beatriz.

Projeto do Doob Arquitetura. Foto de Julia Ribeiro

Também é importante considerar, tanto para as cadeiras como sofás, a impermeabilização ou blindagem do tecido para driblar, em tempo hábil, qualquer imprevisto.

Tramas fechadas nos estofados

Para os apaixonados pelos felinos, tramas fechadas são ideais para que as garras não estraguem os tecidos. “Com trama de poliéster e algodão impenetrável, o tecido impermeável tem uma ótima relação custo-benefício e é simples de limpar. Tendência na decoração, a lona de caminhão também é bastante usada”, conta Danielle.

Completando a decoração, cortinas de linho ou voil devem ser desconsideradas, pois podem desfiam com facilidade. Pensando em durabilidade, persianas de rolo são as mais indicadas. No tocante aos tapetes, a sugestão é escolher um modelo produzido com fibras sintéticas de vinil e poliéster, que são laváveis e apresentam a trama totalmente fechada.

  1. Casinhas para pets

Em casas ou apartamentos não há necessidade de usar a estrutura de uma casinha. “Geralmente, elegemos estofados posicionados em um cantinho”, explica Ana Yoshida. Para quem tem uma boa área externa e pretende construir uma casinha para o cachorro, um bom material para é o pistão. A limpeza é fácil e ele permite que a casa fique mais arejada.  Caso seja possível, vale construir a casinha sobre uma base de alvenaria para não precisar suspender a estrutura durante a lavagem da área.

Agradecimentos: Doob Arquitetura e Ana Yoshida

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