Casa Materna

Nossa primeira habitação é o corpo das nossas mães. O ato de nascer é a despedida dessa casa original, na qual estamos abrigados das adversidades do mundo e na qual somos gerados para as potencialidades da vida. Simbolicamente, portanto, as casas nas quais moramos após o nascimento são como o corpo materno que tanto nos protege do mundo quanto nos coloca em contato com ele. Residimos no corpo da mãe e na casa concreta, mas se o primeiro nos oferece cuidado, a segunda nos convoca a cuidar. Então, como você tem tratado a sua casa materna?

Por Angelita

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Assim como as mães são diferentes umas das outras, as casas também são. Há mães gentis, ternas e acolhedoras. Há mães frias, distantes e rígidas. Há mães controladoras, exigentes e severas. Há mães negligentes, indiferentes e egoístas. Há mães abnegadas, dedicadas e sacrificadas. Há mães que combinam muitas dessas características… Há mães e mães.  E, similarmente, há casas frias, casas acolhedoras, casas sufocantes, casas gentis, casas desconfortáveis, casas alegres e tristes. Há muitas formas de uma mãe ou casa ser. A diferença é que, quase sempre, estamos dependentes da mãe como ela é, mas quanto à casa podemos ter independência para decidir como queremos que ela seja.

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Podemos fazer da nossa casa um útero realmente gentil, um abrigo que nos nutre e guarda dos incômodos do mundo exterior, nos fortalecendo para a batalha transformadora da vida que acontece do lado de fora da nossa porta. É comum, porém, que nos relacionemos com a casa na qual moramos guiados, inconscientemente, pela experiência afetiva que temos com as nossas mães. Por exemplo, uma pessoa que tem uma mãe fria ou negligente pode ter dificuldades em criar vínculo com a própria casa. Pessoas assim tendem a não se envolver com o próprio lar, moram quase que acampados ou em casas cuja organização e decoração são totalmente decididas por outras pessoas. Da mesma forma, pessoas que têm mães controladoras e exigentes podem se tornar obsessivas quanto à arrumação e limpeza da casa, ou serem totalmente relaxadas e bagunceiras.

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A relação psicológica entre a percepção que temos da casa e a nossa vivência infantil com a figura materna é sensível. Em função disso, cuidar da própria casa pode ser uma experiência de cura. Cuidando do espaço no qual habitamos podemos aprender a cuidar de nós mesmos, a nos amarmos como não nos sentimos cuidados ou amados na infância. Podemos desenvolver a habilidade, o gosto e o prazer de criar um lugar terno para a nossa existência.  Quando decidimos cuidar do espaço no qual moramos, consciente ou inconscientemente, escolhemos acolher a pessoa que somos da melhor maneira possível. E isso se dá pelo fato de que a casa é o espaço que faz a ponte entre a privacidade dos aspectos mais íntimos da vida e a publicidade do que há de mais superficial nas interações com o mundo exterior.

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A casa, portanto, é um símbolo que expressa o conflito entre a diferenciação e a integração. Ao mesmo tempo em que ela separa seu habitante do contexto social, individualizando-o, ela o integra às regras sociais do mundo no qual ele vive. A casa que habitamos tem as marcas da cultura na qual nascemos, mas tem também o lastro da evolução biológica dos seres humanos. A casa, assim como a mãe, é uma experiência universal. A experiência de habitar o corpo materno e de construir um abrigo é parte constitutiva da História humana. As duas experiências remetem a necessidade de resguardar-se dos perigos que ameaçam a vida. As duas experiências remetem a necessidade de nos desenvolvermos adequadamente para o enfrentamento desses perigos.

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Ao final de tudo, talvez, tão importante quanto ocupar-se dos perigos que espreitam do lado de fora, seja tratar com carinho e respeito a casa na qual moramos. pois que a nossa moradia é o espaço que pode nos reabastecer da energia necessária para viver. Uma vez que ele é como o corpo no qual somos gerados, o ponto de partida para o enfrentamento da vida. Então, como você tem tratado a sua casa materna?

 

Fotos: Pinterest

 

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