A casa de Irene, de Sandra Rosa Madalena… e de quem mais quiser!

Anões de jardim, jarra para suco em formato de abacaxi, pinguim de geladeira, estátua de flamingo, almofada de cetim com babado, reprodução de pintura famosa, globo de espelhos, imagem de santo com iluminação colorida, objetos de decoração com monograma da marca ostensivamente visível, tapete ou manta em padronagem animal e/ou tecido simulando pele de bicho, cortinas e estofamentos em veludo nos trópicos,  souvenir de viagem replicando monumento famoso, Arte Pré-rafaelita… Qual é a sua escolha kitsch? Afinal, de poeta, de louco e de brega talvez todo mundo tenha um pouco!

Por Angelita

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A palavra “Kitsch” é a denominação universal para o brega. Apesar da origem da palavra ser ambígua, há um quase consenso de que ela surgiu na língua alemã em meados do século XIX. Supõe-se que o vocábulo kitsch esteja vinculado às palavras “kitschen” e “verkitschen”, ambas remontam ao lixo, ao que é barato e/ou falso. Ou seja, o termo kitsch tende a ser uma declaração pejorativa sobre alguma coisa, remete a algo que é fonte de prazer para as massas, à vulgaridade, ao comum, isento de sofisticação intelectual e estética.

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Os comerciantes de arte de Munique consolidaram o adjetivo kitsch nos anos 1860 e 1870 como um jargão profissional que designava “material artístico barato”. Mas foi em meados do século XX que o kitsch ganhou força teórica, sendo utilizado para descrever objetos e um modo de vida característico da urbanização e da produção em massa de produtos e de bens de consumo. Países altamente industrializados como Japão, Estados Unidos e Alemanha costumam ser uma fonte generosa para a disseminação do kitsch pelo planeta. E é nos EUA, no começo da década de 1960, que um movimento defendido pela crítica de arte Susan Sontag propõe resgatar o prazer e o encanto pelo modo de vida atribuído aos populares. Esse movimento gerou uma apreciação do kitsch exatamente pelo que ele é: excessivo, melodramático, piegas, familiar, ordinário!

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O início da segunda metade do século XX foi marcado por uma apropriação do kitsch pela Arte. Artistas pop abraçaram o kitsch, utilizando técnicas de produção em massa para criar objetos, e um  estilo, assentados na estética da cultura popular urbana, suburbana e na vida comercial e industrial. Na decoração, o kitsch quase sempre está associado à coragem de não se ater às tradições pré-definidas de bom gosto. O kitsch exagera e desafia todos os outros estilos. Maximalistas e personalidades brilhantes e aqueles que não se preocupam com as opiniões dos outros, ou que gostam de fazer alarde e se destacar da massa cinzenta, costumam apreciar o kitsch.

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Ambientes no estilo kitsch excedem em objetos e enfeites baratos, figurativos, literais e que são versões falsas de outra coisa. O kitsch também pode “dar a pinta” em ambientes que se esforçam para parecerem luxuosos. O mix de referências é uma constante, pode coexistir no mesmo espaço revestimentos dourados imitando ouro, detalhes rústicos, cortinas de contas e flores de plástico. Muito embora o kitsch seja mais recorrente em decorações com ares mais tradicionais e românticos, ele também aparece em propostas contemporâneas. Os amantes do kitsch adoram o vermelho, mas a paleta de cores escolhida pode oferecer combinações as mais improváveis. Mas, e se você gosta de alguma coisa kitsch mas não quer um ambiente inteiro nesse estilo? Você pode dar destaque a uma peça única que expresse a força dessa criatura brega e tímida que te habita.

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Uma poltrona de laca vermelha em um ambiente clássico ou minimalista, um par de almofadas rendadas displiscentemente jogadas no sofá, um bibelô ou dois exibindo-se na estante de livros, uma reprodução de Roy Lichtenstein  ou Andy Warhol na parede. Também pode ser aquela já clássica pintura de Iemanjá saindo do mar entre as ondas! O ponto de exaltação do kitsch na sua casa, se você quiser ter um, vai depender da sua peça favorita, daquele elemento que faz a criatura brega em você se comover passionalmente com uma lembrança qualquer da sua herança popular. Ou seja, que te faz lembrar com carinho desse lugar anônimo que ocupamos na grande massa que habita a história do mundo moderno e contemporâneo.

Obs.: “A Casa de Irene”, assim como “A Cigana Sandra Rosa Madalena”, são clássicos da música brega brasileira. A primeira fez sucesso na voz de Agnaldo Timóteo, e a segunda é um dos hits de Sidney Magal.

Foto 1: Pinterest

Foto 2: Eaton House Studio

Foto 3: Houzz

Foto 4: Freshhome

Foto 5: Hospitality On

Foto 6: Architecture Art Design

 

Algumas das imagens utilizadas são de divulgação. Se você é autor de uma ou mais delas, e não foi devidamente citado, entre em contato conosco aqui.

 

2 comentários Adicione o seu

  1. Ângela Vescovi disse:

    Muito bem contextualizado e elucidado. Ser brega não necessariamente é ser carona.

    Ângela Vescovi

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  2. Ângela Vescovi disse:

    Correção: “… ser brega não necessariamente é ser cafona. “

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